A comerciante Lucélia da Silveira Bueno liderava a mobilização, por avaliar que os 44 alunos de 8ª série são os mais prejudicados. “Eles somente tiveram aulas de Inglês no mês de março e, se não completarem a grade curricular, ficarão impedidos de ingressar no Ensino Médio a partir de 2011”, relatou.
A dona de casa Marisa Souza Ribeiro estava revoltada com a situação, definida por ela como “descaso”. “Será que nossos filhos terão que passar o período de férias de verão recuperando as aulas de Inglês?”, questionou ela, lembrando que, além dos 44 alunos da 8ª série, os 90 estudantes da 5ª série também têm períodos vagos durante a semana por conta da ausência do docente.
No início da semana, os pais e responsáveis pelos estudantes estiveram reunidos na Associação dos Moradores do bairro São José, ocasião em que deliberaram pela realização do protesto. Há um indicativo de retomada das mobilizações caso o problema não seja solucionado ainda nesta quinzena. “Precisamos de uma solução, pois sem as notas da matéria não poderemos concluir o Ensino Fundamental”, disse o estudante William Vieira, de 15 anos.
A diretora da escola, Maria Antonieta Dias, afirmou que a reivindicação da comunidade é justa. “Estamos aguardando pela designação de um docente desde maio, quando enviei o primeiro ofício solicitando o professor”, explicou. Segundo ela, a Secretaria Estadual de Educação prometeu designar um docente para atender as duas turmas de 8ª série e as três turmas de 5ª série nesta segunda-feira. “Um professor de Inglês é quase um especialista, aumentando a dificuldade de encontrar um profissional que aceite ficar em sala de aula”, observou Maria Antonieta.
De acordo com a diretora, raramente os estudantes são dispensados por conta da ausência do professor. “Como as aulas de Português começaram a ser ministradas depois do início do ano letivo, a carga horária está sendo recuperada nos períodos em que os alunos deveriam ter aulas de Inglês”, enfatizou.
Maria Antonieta disse que, tão logo o docente de apresente, haverá necessidade de estabelecer um calendário que contemple as cinco turmas. A ideia é que parte das aulas perdidas sejam recuperadas no turno inverso, sem prejuízo para os estudantes.
A vice-diretora, Maria Júlia Farias, ressaltou que, caso o problema não seja solucionado nos próximos dias, um novo ofício será encaminhado à SEC. Os pais cogitam a possibilidade de realizar um ato de repúdio nas dependências do Centro Administrativo do Estado. “Precisamos de uma resposta”, disse a dona de casa.