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Alvorada tenta se reerguer depois de enchente histórica

Segundo a prefeitura, cerca de 95% das casas já estavam com o abastecimento de água normalizado

Segundo a prefeitura, cerca de 95% das casas já estavam com o abastecimento de água normalizado
Segundo a prefeitura, cerca de 95% das casas já estavam com o abastecimento de água normalizado Foto : André Ávila
Para auxiliar os moradores, um grupo de mulheres montou uma tenda com mais de 10 mil peças para doação em Alvorada. As voluntárias, que também tiveram as casas atingidas, se estabeleceram na rua Irararé, no bairro Americana, onde fazem revezamento para atender a quem precisa de roupas secas e outros objetos para recomeçar a vida, depois de uma das maiores enchentes das últimas décadas. Apesar de ter baixado, a água continuava cobrindo as ruas da região e a maior parte dos habitantes não podia voltar para as residências invadidas. A dona de casa Luciana Alves, 45 anos, disse que presenciou, pelo menos, uma inundação por ano durante toda a vida. “Dói muito, mas não vou chorar mais. O Rio Grande do Sul se mobilizou para ajudar e isso é positivo”, disse ela, que é uma das voluntárias.

Outra moradora, Raquel Alves, 46, contou que já não tem móveis. Ela estava esperando o nível baixar para tirar o lodo e jogar tudo fora. O abastecimento da Corsan começou a ser normalizado no final de semana, mas havia a reclamação de que a água estava com barro. “Não estamos tomando porque pode dar diarreia”, comentou.

Na casa dos aposentados Hélio Luiz Reis de Oliveira, 75, e Elza Carvalho, 72, a peça dos fundos onde eles vivem ainda está alagada e só é possível entrar com galochas e roupas de borracha. “A gente é velho e queria um pouco de sossego, mas temos que lidar com isso”, lamentou a mulher. A água que saía da torneira ainda estava um pouco amarelada e eles seguiam comprando garrafas.

No Centro, a moradora Neiva da Rosa, 68 anos, disse que depois de uma semana, voltou a correr água pelas torneiras. “Só no domingo pude tomar banho de chuveiro. Passei sete dias usando canecas”, comentou.

Os bairros Nova Americana, Tijuca, Vila Barcelos e Umbu ainda tinham pontos de alagamentos nesta segunda-feira. A Força Nacional fez avaliação da situação do município no final de semana e, dependendo do resultado, fornecerá remédios e vacinas, além de outros kits. Até ontem, havia 204 abrigados, 2.911 desalojados e 11,7 mil atingidas em Alvorada.

Segundo a prefeitura, cerca de 95% das casas já estavam com o abastecimento de água normalizado. A demora para chegar era nos pontos mais altos. A Corsan informou que a coloração da água não era motivo para preocupação, pois havia passado por tratamento. A situação do abastecimento estava normalizada em Alvorada, Viamão, Cachoeirinha e Gravataí.

“O que ainda pode ocorrer são situações pontuais de bolhas de ar em algumas ruas. As bolhas podem se formar durante períodos de desabastecimento, quando o ar presente na tubulação se acumula num determinado ponto, dificultando ou até mesmo impedindo a passagem da água quando esta retorna. Isso pode causar baixa pressão ou desabastecimento”, disse em nota.