“É uma grande frustração. Os processos se iniciam, a gente sabe onde é o começo, mas não sabe o caminho que eles tomam, nem onde eles chegam. A reação lá fora já é de frustração. A gente só espera que, logo depois da Rio+20, a gente tenha mais clareza de como vão se estabelecer esses processos”, critcou Rittl. Ele espera que, na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, que vai acontecer em setembro, os países demonstrem mais compromisso com os processos e sejam mais claros. "Queremos saber onde se vai avançar, com que velocidade e o que se pretende atingir".
O representante da entidade ambientalista Greenpeace, Marcelo Furtado, também se sente frustrado. Segundo ele, o documento indica meramente um processo burocrático de negociação, mas não tem substância. “A grande vítima dessa conferência é a população planetária, a desigualdade e o meio ambiente. Se você pegar, por exemplo, a questão dos oceanos, que estava muito avançada e onde havia a expectativa de um acordo internacional e legalmente vinculante, para áreas protegidas marinhas internacionais, ele afundou”, avaliou.
As ONGs Greenpeace e WWF advertiram que a cúpula poderia se converter em um fracasso se os líderes mundiais não viessem "ao resgate" (dos compromissos). "A Rio+20 se transformou em um fracasso épico. A conferência falhou em termos de equidade, ecologia e economia", considerou o diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, Daniel Mittler, em comunicado. "Eles nos prometeram o 'futuro que queremos' (nome dado à declaração final), mas agora seremos reconhecidos apenas como uma máquina contaminadora que vai cozinhar o planeta, esvaziar os oceanos e destruir as florestas tropicais", disse Mittler.
Documento final foi aprovado sem alterações nesta terça-feira
Depois de sete dias de reuniões, as delegações chegaram a um acordo ao texto final, que foi apresentado na madrugada desta terça-feira pelo Brasil e aprovado sem alterações na reunião plenária iniciada às 10h30min. O encontro durou quase três horas. O chefe de Comunicação das Nações Unidas (ONU) na Rio+20, Nikhil Chandavarkar, disse que o documento provocou o descontentamento de alguns países em alguns pontos. “Os chefes de Estado têm direito de mudar o texto, mas os países já deram suas posições”, afirmou.