Baldi destaca a memória de Alcaraz Gomes como uma de suas principais virtudes. "A memória dele era peculiar. Chegava a dar raiva a capacidade que ele tinha de reproduzir um discurso em francês, em latim ou em inglês. Era impressionante. Parecia um computador", comparou o economista.
O advogado Fernando Malheiros Filho, colega de trabalho do jornalista, destacou o senso de "oportunidade" de Flávio Alcaraz Gomes. "Além da coragem de ir para o "front", o Flávio tinha um timing que poucas pessoas têm. Por exemplo, ele embarcou para cobrir a Guerra do Vietnã e no meio do caminho, trocou de avião e acabou sendo um dos primeiros jornalistas a cobrir a Guerra dos Seis Dias. Era um visionário", disse Malheiros.
Ex-colega de Flávio Alcaraz Gomes no jornal Folha da Tarde, a jornalista Ema Belmonte destaca a atuação do colega como repórter. "Ele foi um precursor de grandes reportagens no Rio Grande do Sul. Foi para o exterior cobrir grandes acontecimentos numa época em que tudo era mais difícil. Eu já admirava ele quando era apenas uma estagiária na Folha da Tarde. Quando fiz a pesquisa do Centenário do Correio do Povo minha admiração aumentou", lembra.
A jornalista acredita que Alcaraz Gomes inspirou uma geração de repórteres “Ele era do tipo de profissional que fazia jornalismo na rua, não se prendia a telefones. Tinha liga com a notícia, estava na hora certa no local certo”, finaliza.
Biografia
Flávio Alcaraz Gomes nasceu em Porto Alegre, em 25 de maio de 1927. Seu avô, Joaquim Alcaraz, foi um dos primeiros diretores do jornal Correio do Povo. Depois de ter concluído o curso de Direito em 1949, foi estudar na Sorbonne, em Paris, entre 1950 e 1952.
Ao voltar para Porto Alegre, começou a trabalhar como repórter de polícia do jornal Folha da Tarde, jornal vespertino da Companhia Jornalística Caldas Júnior. Como repórter, atuou na Copa do Mundo de 1958 e na Copa do Mundo de 1970. Cobriu o sequestro pelos tupamaros do cônsul do Brasil no Uruguai. Também atuou na Guerra do Vietnã como correspondente no Oriente Médio e Europa.
Os livros escritos por ele foram “Diários de um Repórter”, “Eu Vi! Itinerários de um repórter”, “Morrer por Israel”, “Um Repórter na China”, “Transamazônica - A redescoberta do Brasil”, “A rebelião dos jovens” e “Prisioneiro 30.310”.