O resultado de mais uma análise, divulgado nesta segunda-feira, descartou que o sistema biológico utilizado pela empresa de tratamento de efluentes Cettraliq tenha relação com as alterações com o gosto e mal cheiro na água de Porto Alegre. Foi encontrado um número significativo de bactérias Actinomicetos encontrado na Casa de Bombas do Trensurb, na zona Norte pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).
As análises apontaram que o número de bactérias está dentro do normal para a atividade. Os testes foram realizados pelo laboratório da Umwelt Biotecnologia Ambiental, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Conforme nota divulgada, os efluentes tratados “encontram com a rede pública (de esgoto) neste local e, a partir destes resultados fica claro que a empresa não contribui de nenhuma forma para essa quantidade excessiva de bactérias, suspeitas de serem a causa do mau cheiro e odor da água em Porto Alegre”.
A Prefeitura revelou, em 15 de julho, que a empresa, situada no bairro Navegantes, atua de forma clandestina desde 2004. A empresa trabalha com tratamento de esgotos na orla do Guaíba e é alvo de investigações por parte do Dmae. A Cettraliq não recebeu Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) e teve o último alvará de licenciamento emitido em 2004.
Cheiro e gosto alterados na água podem nunca ser identificados, admite o Dmae
Na semana passada, o Dmae reconheceu que as causas das alterações da água em Porto Alegre podem nunca vir a serem descobertas pelos órgãos de monitoramento. Diretores do Departamento ressaltaram que há precedentes internacionais sem identificação da origem. O Dmae também destacou que a situação é inédita na cidade.
Depois de mais de dois meses desde que as análises começaram, o cheiro e o sabor desagradáveis seguem sendo percebidos na água das torneiras, especialmente no Centro e na zona Norte. Técnicos já concluíram que a única substância diferente encontrada até agora na água, a bactéria Actinomiceto, não teve relação aparente com o problema investigado. Também é descartada a possibilidade de que algas, cianobactérias ou o nível de esgoto sanitário normalmente presente no Guaíba tenham provocado as alterações.
Análise sugere que Cettraliq não é responsável por alterações na água de Porto Alegre
Testes foram realizados pelo laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina