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Animais recebem tratamento especial em função da onda de frio

Cuidados com a saúde de cavalos e pinguins são redobrados na Serra

O veterinário explica que o pinguim-de-magalhães não vive no frio extremo
O veterinário explica que o pinguim-de-magalhães não vive no frio extremo Foto : Halder Ramos / Divulgação / CP
As marcas negativas registradas nos últimos dias no Rio Grande do Sul obrigam até os animais a se proteger do frio intenso. Não é raro ver cavalos cobertos com uma manta em São José dos Ausentes, uma das cidades gaúchas mais geladas, e pinguins receberem aquecimento em Gramado. 

Na Cabanha Santo Anjo, que cria equinos campeões, os cuidados são ainda maiores. O vencedor de várias exposições morfológicas de cavalo crioulo, que avaliam a beleza do exemplar, é tratado a “pão de ló”. Além de vestir uma capa para não arrepiar o pelo, Escorpião ainda usa uma máscara para a umidade não chegar ao rosto.

O cuidador dele e de outros animais da fazenda, Gladimir Hoffmann, explica que, nos dias de nevasca, os cavalos não podem sair para trotear. Banho, somente nas patas. No resto do corpo, usa-se escova e panos para limpar e não deixar o bicho úmido. Ainda é utilizado secador.

A baia, renovada com serragem uma vez por semana no verão, é trocada com mais frequência no clima de inverno. Tudo isso, para garantir a saúde e a boa aparência de Escorpião para a Expointer deste ano, feira na qual foi classificado. “Nosso clima é bem típico. O problema não é tanto com os animais, que são resistentes e conseguem se abrigar, é mais com a produção de alimento. O pasto fica queimado”, destaca o dono da cabanha, Marcelo Búrigo.

Ele tem 80 éguas prenhas que também exigem atenção. Elas costumam ser largadas no mato, onde tem locais para se refugiar do vento e ficam umas próximas às outras. “Para nós, a neve é horrível”, comenta Búrigo.

O afilhado do proprietário, Felipe Búrico, 12 anos, mora em Caxias do Sul, mas costuma passar as férias com a família em São José dos Ausentes. Desde muito novo, ele já monta e aprende como tratar os cavalos. Conforme ele, que acompanha os animais serem domados, os bichos quase não saem do ambiente fechado no frio, somente próximo do meio-dia quando o sol está mais quente.

A água congela nas torneiras e mangueiras e todo o trabalho fica mais difícil no inverno. Porém, uma fogueira acesa junto às baias ajuda a amenizar o clima gelado e deixa mais agradável a lida do campo. Além de Escorpião da Santo Anjo, ainda há outros cavalos campeões na cabanha, além de reprodutores.


Não é raro ver cavalos cobertos com uma manta em São José dos Ausentes, uma das cidades gaúchas mais geladas | Crédito: Tarsila Pereira

Gramadozoo aquece pinguins


Devido a onda de frio, a equipe veterinária do Gramadozoo, também na Serra, redobrou os cuidados com a saúde da bicharada. Com temperaturas e sensação térmica abaixo de zero grau, os profissionais permanecem em alerta durante 24 horas. Em função das baixas temperaturas, até o recinto dos pinguins-de-magalhães precisa de aquecimento.

Segundo o veterinário Renan Stadler, responsável técnico do parque, o pinguinário conta com um climatizador que mantém a umidade e a temperatura controladas. “Em função do frio, o climatizador serve para aquecer o recinto. Mantemos a temperatura sempre próxima dos 16ºC”, afirma.

O veterinário explica que o pinguim-de-magalhães não vive no frio extremo. “Tem muita gente que pensa que pinguim gosta do frio, mas não é o caso dos pinguins-de-magalhães, que são animais que viajam para a costa brasileira em busca de correntes marítimas mais quentes e de alimento”, informa.


Em função das baixas temperaturas, até o recinto dos pinguins-de-magalhães precisa de aquecimento | Crédito: Halder Ramos / Divulgação / CP


Espaço climatizado

O rigor do inverno foi levado em consideração no projeto do zoo. Todos os recintos são equipados com sistemas de climatização para garantir qualidade de vida aos animais. Espécies de clima quente estão em espaços com aquecedor. No recinto das cobras, foram instaladas, ainda, lâmpadas especiais que emitem de calor e piso aquecido. “Temos alguns macacos que não abrem mão do cobertor”, diz Stadler.

Além dos sistemas de aquecimento, a equipe técnica do zoológico reforça a alimentação dos bichos. Pinhão, polenta e bergamota integram a dieta especial. “No inverno, acrescentamos alimentos mais calóricos e frutas da estação como a bergamota, que é rica em vitamina C. Já o pinhão, faz parte da alimentação de aves e macacos.”, afirma o veterinário. O Gramadozoo fica no Km 35 da ERS 115 e funciona diariamente das 9h às 17h.

Com informações de Karina Reif.

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