Marcel Magalhães, motorista do ônibus que tombou e deixou 15 mortos e 66 feridos no domingo, em Paraty, cidade litorânea ao sul do Rio de Janeiro, gritou três vezes aos passageiros que o veículo estava sem freio, assim que iniciou a primeira descida na estrada conhecida como "Deus me Livre", acesso à Praia da Trindade. Na sequência, ele perdeu o controle.
O alerta do motorista foi relatado nesta segunda-feira, por sobreviventes do desastre. O alarme ajudou parte deles a se proteger antes do choque. O ônibus tinha ao menos 81 pessoas, apesar da lotação máxima ser de 45, segundo documentação do veículo que foi recolhida pela polícia.
O delegado que estava de plantão em Paraty no domingo passado, Márcio Teixeira de Mello, afirmou que será averiguado se o excesso de passageiros contribuiu para que o ônibus perdesse o freio. O veículo será submetido à perícia, que deve ser concluída em 30 dias. Os sobreviventes serão intimados a prestar depoimento.
A secretária Telma Aversa, de 57 anos, contou que conseguiu segurar-se junto à janela, o que, acredita, salvou-a da morte no momento do tombamento. Com a arquiteta e amiga Sandra Landi, ela esteve à tarde no Instituto Médico Legal (IML) de Angra dos Reis, a 90 quilômetros de Paraty, para realizar exames que comprovem os ferimentos causados no acidente.
Sandra anunciou que entrará na Justiça contra a Viação Colitur, dona do ônibus. "Quero que a empresa seja responsabilizada. Vamos à Justiça não pelo dinheiro, mas para que o responsável seja punido. O motorista subiu a estrada muito devagar, não estava em alta velocidade. No pouco tempo que teve de reação, ainda avisou os passageiros da falta de freio e decidiu por tombar o ônibus em vez de cair em uma ribanceira. Se tivesse caído na ribanceira, teria morrido todo mundo", afirmou Sandra, que contou ter sido arremessada pela janela no momento em que o ônibus tombou.
Ela contou que voltou ao ônibus para tentar retirar os três amigos que a acompanhavam. "Depois do acidente, muitas pessoas pisotearam outras que estavam pelo chão, na tentativa de sair rapidamente do ônibus. Minha primeira reação foi arrastar minha amiga (Telma), que estava desmaiada." Telma e Sandra não conseguiram fazer os exames nesta segunda.
O defensor público André Bernardes, de Angra dos Reis, informou que iniciará ação coletiva contra a empresa, para que indenize os parentes dos mortos e os feridos. Bernardes está recolhendo documentos para iniciar o processo. Além da superlotação, há a suspeita de que equipamentos e pneus não estavam bem conservados.
As investigações são, agora, conduzidas pelo delegado João Dias, da 166.ª Delegacia de Polícia, que evitou antecipar qualquer informação sobre a tragédia.
Antes de acidente, motorista gritou que ônibus não tinha freio
Veículo perdeu o controle na estrada conhecida como "Deus me livre", litoral do Rio de Janeiro