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ANTT espera aval para iniciar fiscalização federal em rodovias do RS

Daer repassou incumbência em 31 de dezembro, mas burocracia ainda deixa estradas sem supervisão

O anúncio feito no fim de dezembro pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de retomar a fiscalização das rodovias federais pedagiadas do Rio Grande do Sul a partir do dia 3 de janeiro ainda não saiu do papel. A informação foi confirmada, na tarde desta terça-feira, pela assessoria do órgão. Segundo a Agência, a ausência de fiscalização em mais de 1,8 mil quilômetros de estradas neste início de ano, se deve à falta de um comando do Ministério dos Transportes, que até agora não deu o sinal verde para a medida.

O Daer, órgão estadual que desenvolvia a função, deixou oficialmente de controlar a gestão das estradas no dia 31 dezembro. Já a ANTT não tem, por enquanto, previsão sobre quando vai começar a atuar. Com isso, obras a cargo das concessionárias, não previstas em contratos, não podem ser realizadas, já que ainda não foi definido o órgão fiscalizador.

O impasse também provoca transtornos para usuários que tentam protocolar reclamações. Durante a manhã desta terça, a Rádio Guaíba tentou denunciar um suposto problema em uma obra de uma rodovia federal pedagiada. O Daer, comunicou, por telefone, que o tipo de atendimento já estava a cargo do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (Dnit). O órgão federal, por sua vez, não dispõe de call center, e ofereceu apenas um email para encaminhar a informação.

Já no telefone de atendimento ao público da ANTT, uma atendente pediu à repórter para registrar a reclamação em outro número. Porém, o número era de uma concessionária que, no Rio Grande do Sul, responde apenas pelas praças de pedágio na BR-116. O único efeito aparentemente “positivo” provocado pelo impasse é o congelamento dos preços das tarifas em todos os polos do Estado nos últimos dois anos. A Agência ainda não confirmou quando serão definidas as alterações nos valores.

A ausência de fiscalização nas rodovias federais pedagiadas no Rio Grande do Sul não é novidade. Em agosto de 2008, quando as estradas ainda eram gerenciadas pelo Estado, a governadora Yeda Crusius transferiu a responsabilidade para o governo federal, após ver frustrada a intenção de renovar contratos de pedágio em vigor. Por mais de seis meses, não houve controle, que só foi retomado em março de 2009, após o TCE questionar a medida, obrigando o Estado a voltar a exercer a função.


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