Pelo menos 15 pessoas foram detidas pela polícia, conforme Mello, durante a manifstação. Um novo balanço deve ser divulgado pela BM nesta sexta-feira. O ato encerrou com 12 feridos, no mínimo, que foram levados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas nenhum em estado grave.
Apesar da chuva e frio na Capital, milhares de ativistas começaram a se reunir no fim da tarde no Paço Municipal e seguiram em duas diferentes caminhadas. Um grupo tomou a avenida Julio de Castilhos, enquanto outro se concentrou na Esquina Democrática. No início da manifestação, houve apoio dos moradores de muitos prédios das avenidas Salgado Filho e João Pessoa – alguns jogaram balões e papéis picados das janelas e sacadas. De acordo com o 9ºBPM, 15 mil pessoas participaram do protesto.
Muitos dos gritos no ato foram contra Pelé (que pediu ontem para os brasileiros esquecerem dos protestos para torcer pela Seleção) e a Copa do Mundo. Nos cartazes, reclamações contra a PEC 37 e o projeto da “cura gay”, dentre outras muitas causas, como educação, saúde e transparência. Praticamente nenhum ativista levava consigo bandeira de partido político.
Confronto na Ipiranga e depredações na João Pessoa
Os manifestantes continuaram a caminhada até a avenida Ipiranga, tomada da Azenha até a esquina da Erico Verissimo. Por volta das 20h começaram os primeiros confrontos. Dentro do grupo de manifestantes a heterogeneidade das causas ficou clara: enquanto alguns gritavam “polícia fascista”, outros clamavam: “Sem violência”.
As tentativas de furo do bloqueio formado pela tropa de Choque da (BM) eram repreendidas com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral. Foi meia hora até os policiais conseguirem fazer com que os manifestantes recuassem. Parte se dissipou pela rua Lima e Silva e parte, pela avenida João Pessoa, no sentido ao Centro.
O clima bélico incitou o que os manifestantes tentavam combater antes: o vandalismo. Quando muitos já tinham ido embora, um grupo depredou lojas do shopping João Pessoa e uma agência do Banrisul na mesma avenida. A destruição só cessou quando a cavalaria avançou, obrigando o grupo a recuar e se dispersar, via Redenção e avenida Venâncio Aires. Na região, uma loja sofreu um princípio de incêndio. Os diretórios municipais do PMDB e do PT na via também foram atingidos.
Na avenida Azenha, próximo a João Pessoa, um grupo depredou estabelecimentos comerciais. Há informações de lojas atacadas também na avenida Princesa Isabel.
Protesto volta ao Centro, onde inicia novo quebra-quebra
Os manifestantes retornaram ao Centro de Porto Alegre, o que resultou num novo confronto com a polícia. Na rua José Montaury, próximo à Borges de Medeiros, alguns integrantes tentaram cercar um grupo da BM. O contingente policial que protegia a Prefeitura teve de investir contra os ativistas. O clima nas ruas do Paço Municipal era uma mistura de depredação e bombas.
A minoria que entrou em confronto com a BM, depois das 22h30min, começou a jogar pedras, bombas e pedaços de madeira contra os policiais, que se defendiam com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. A situação apenas acalmou quando a cavalaria chegou ao local e reforçou o efetivo policial.
Agências bancárias do Centro foram quebradas e lojas invadidas e saqueadas. Na esquina das avenidas Salgado Filho e João Pessoa, uma agência do banco Itaú foi destruída e um caixa incendiado. Os manifestantes deixaram um rastro de destruição também na avenida Borges de Medeiros.
*Com informações do repórter Tiago Medina