Três carros da PM foram estacionados na esquina na orla, e outros três veículos foram posicionados no outro extremo do quarteirão. Viaturas também foram posicionados em ruas paralelas. Pelo menos outros três carros pretos que, embora descaracterizados, pertencem à equipe de segurança pessoal do governador, estão parados na região da casa de Cabral. Além disso, seguranças à paisana estão distribuídos por cerca de 300 metros de extensão da rua.
Já no início da manhã desta sexta-feira, funcionários de um edifício que fica na esquina do prédio e teve vidraças estilhaçadas e sujas de tinta trabalham na limpeza do imóvel. De acordo com a Polícia Militar, os policiais foram atacados e reagiram.
Em meio ao tumulto, manifestantes incendiaram lixeiras e uma pilha de engradados de água mineral que estava perto do calçadão da Praia do Leblon. A Polícia Civil informou que seis pessoas foram detidas. Cinco delas foram autuadas por tentativa de lesão corporal, por jogar pedras em policias, e uma por porte de drogas. Todos foram liberados sem pagamento de fiança. Houve registro de três policiais feridos.
A psicóloga Rosália Mendes, de 63 anos, disse que a manifestação estava pacífica até que, por volta das 22h, as luzes dos postes da avenida teriam sido apagadas. "Eu estava no protesto. O movimento era pacífico e bonito, até que apagaram a luz da praia e começou a confusão. Acho que, conforme foi aumentando o número de manifestantes, a polícia deve ter recebido uma ordem para agir", disse a moradora do Leblon.
Vizinhos reclamam da ação da PM
Mas moradores do bairro reclamaram da atuação dos policiais contra os manifestantes. Segundo o engenheiro, Pedro Luiz, que mora a duas quadras do prédio de Cabral, a PM agiu de forma "irresponsável e desordenada". "Foi um horror. Os policiais usam esse gás lacrimogêneo em qualquer situação. Não existe critério para o uso dessa substância que é extremamente perigosa. Isso sem contar a total falta de organização da operação, sem nenhuma estratégia", disse o morador.
O analista de sistema, Juan Perez, disse que estava na varanda do seu apartamento quando um cheiro forte de gás rapidamente invadiu sua residência. "Minha esposa começou a passar muito mal. O odor é muito desagradável. Esse tipo de coisa deveria ser proibida. Eu não vi quem começou a bagunça, mas esse tipo de conduta dos policiais prejudica moradores e pedestres."