Depois de uma semana de greve geral, o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) enfim conseguiu, na manhã desta terça-feira, se reunir com a Prefeitura. Os servidores colocaram duas pautas na mesa de negociações com o vice-prefeito Gustavo Paim: o fim do parcelamento salarial e a retirada dos projetos de lei do Executivo na Câmara Municipal. Após a reunião, que contou a presença de vereadores da base aliada e do oposição, não se chegou a nenhum acordo e a paralisação continua por tempo indeterminado.
Com relação ao fim do parcelamento de salários, o vice-prefeito disse que a questão passa por análise do Tribunal de Contas, mas que o posicionamento continua o mesmo. “Não há recursos para comportar as despesas do município. As receitas são inferiores as despesas. Não tem conversa ou acordo que produza um fato, que crie dinheiro. Infelizmente não existe e não tem como garantir que não vá continuar a haver parcelamento de salário, porque não há condições de pagar em dia”, disse Paim.
Já os projetos encaminhados pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior ao Legislativo, de acordo com o vice-prefeito, são alternativas às dificuldades de receitas e despesas, como a revisão do IPTU, por exemplo. Paim ainda discordou de opiniões do Sindicato de que não estaria ocorrendo diálogo, pois, para ele, a democracia já está no momento em que os textos são encaminhados à Câmara. “Está na casa do povo, dos 36 vereadores que representam a população de Porto Alere para debater avanços e melhorias dos projoetos que lá estão. Eles estão lá para serem dialogados.”
Não houve acordo nenhum, portanto, após a reunião. Paim disse, contudo, que propôs à diretoria do Simpa que leve a discussão dos textos dos projetos a sua assembleia geral, que seria relizada ainda hoje, para analisar se há pelo menos algo que se esteja de acordo. Segundo o vice-prefeito, o Sindicato tem se mostrado irredutível a colocar que a greve só terá fim com a retirada total das medidas. “Esperamos que o Sindicato compreenda, que tenha fim a greve e que nós possamos prestar os serviços a toda a população de Porto Alegre, que é o objetivo de todos”, disse.
Para o diretor-geral do Simpa, Alberto Terres, o governo deixou a categoria sem alternativas e sem nenhuma possibilidade de terminar a greve. Ainda segundo ele, o pedido do vice-prefeito para que se abra mão de alguns pontos dos projetos é algo inviável. “Não tem como fazermos isso, porque todos os projetos atacam a categoria. Não tem como abrirmos mão de direitos conquistados há décadas. É uma proposta que não encontra eco no conjunto de trabalhadores em função disso”, afirmou Terres.
Ainda conforme o diretor-geral, a categoria saiu frustrada do encontro com a Prefeitura, pois não foi apresentado nenhum posicionamento positivo do Executivo com relação a pauta da greve. “Por outro lado, a categoria sai fortalecida, porque está indignada com esse posicionamento do governo que não dialoga e não apresenta nenhuma saída para os trabalhadores e trabalhadoras saírem da greve”, comentou Terres, que ainda disse que a questão seria levada para a assembleia geral para conseguir uma adesão ainda maior do que a que vem ocorrendo.
“A tendência com certeza é a continuidade, porque não podemos sair de uma greve sem nenhuma proposta positiva. É o governo que está colocando os trabalhadores em greve no município de Porto Alegre nesse momento.”
Após encontro com Prefeitura, Simpa segue em greve geral
Reunião foi pautada sobre fim do parcelamento e retirada de projetos de lei na Câmara Municipal