A ação é preparada desde o ano passado pelo procurador do MPF em Novo Hamburgo Celso Três, que calcula pelo menos 12 interrupções de grande porte no Trensurb nos últimos dois anos. A média é de uma paralisação a cada dois meses. "Há irresponsabilidade tanto pela ótica do serviço público como pela do direito do consumidor. As pessoas pagam a passagem, e o serviço tem que ter continuidade. Até porque há um agravante muito sério, que é a BR-116. As pessoas sem condições não podem pagar pelo deslocamento rodoviário e a estrada está esgotada", avalia.
Em 2011, um Inquérito Civil Público foi instaurado pelo MPF, o que forçou a Trensurb a apresentar detalhes sobre um plano de emergência para transporte dos usuários em ônibus. Na ocasião, a direção da estatal garantiu manter parcerias com empresas do transporte rodoviário a fim de evitar transtornos. "Na prática, estas parcerias são precárias e insuficientes", opinou o procurador.
Nesta sexta, a Metroplan, que responde pelo acompanhamento e fiscalização das empresas de ônibus na região Metropolitana, reconheceu falta de ônibus para atender passageiros da Trensurb. Com a pane, passageiros também enfrentaram problemas com a falta de coletivos. A ação do MPF contra a estatal deve ser protocolada na Justiça ainda em fevereiro.
O diretor de operações da Trensurb, Paulo Renato Amaral, disse que o serviço de trens foi normalizado após o conserto de dois pontos onde houve rompimento de cabos da rede elétrica. Destacou que esse tipo de problema não é comum, mas há sempre o risco de o sistema falhar em decorrência de problemas técnicos.
Segundo o dirigente, a manutenção da rede elétrica é feita por empresa terceirizada e é considerada uma das melhores do Brasil. Em entrevista ao Programa Guaíba Cidades, ele relatou ainda que os cabos se romperam com a passagem do primeiro trem da madrugada. Para ele, a rede aérea é revisada todas as noites, durante o horário de parada dos trens na madrugada. Até a semana que vem, deve ser divulgado relatório técnico apontando as causas do incidente.