Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira, centenas de integrantes do Movimento Sem Terra (MST) ocuparam o pátio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no centro de Porto Alegre. Em função da ocupação, o atendimento ao público externo foi suspenso. Do lado de fora do prédio do Incra, os integrantes do MST montaram um verdadeiro acampamento. Muitos chegaram trazendo colchões e malas e montaram barracas. Nas grades que circulam o terreno foram afixadas bandeiras do movimento e faixas.
A manifestação, por tempo indeterminado, integra a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Segundo integrantes do MST, a proposta do orçamento é considerada “perversa” por reduzir os recursos em áreas fundamentais, o que inviabilizaria algumas ações, como a produção de alimentos pelas famílias acampadas e assentadas.
A dirigente nacional do MST no Estado, Silvia Reis Marques, disse que a proposta for aprovada colocará em risco as políticas públicas que envolvem os assentados, ampliando o desabastecimento.
“Ocorrerá a devastação das famílias camponesas e a exclusão de um processo produtivo de alimentos saudáveis e de cuidado com a terra. Isto vai refletir no conjunto da sociedade brasileira, porque quem produz 70% da comida são os pequenos agricultores e assentados”, afirmou.
A mobilização, que também ocorreu no Distrito Federal e outros nove estados, é contra a proposta de orçamento para a reforma agrária em 2018 e o projeto de reforma da Previdência.
Segundo o MST, em relação a 2017, os recursos para a obtenção de terras teve corte de 86,7%, passando de R$ 257,023 milhões para R$ 34,291 milhões no próximo ano. Os valores para assistência técnica aos assentados caem de R$ 85,403 milhões para R$ 12,636 milhões, o que representa 85,2%. O Orçamento passa ainda de R$ 318,627 milhões para R$ 750 mil (corte de 99,8%) para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); de R$ 242,524 milhões para R$ 75,349 milhões (corte de 69%) para o desenvolvimento dos assentamentos; e de R$ 14,800 milhões para R$ 2,053 milhões (corte de 86,1%) para promoção da educação no campo.
Após ocupação do MST, atendimento é suspenso no Incra no Centro de Porto Alegre
Sem Terra trouxeram barracas, colchões e montaram um acampamento