"Houve um acordo para estabelecer um novo momento na história das entidades estudantis dentro da PUCRS. Os integrantes do DCE asseguraram que irão realizar uma eleição o mais rápido possível", afirmou a pró-reitora de Assuntos Comunitários da universidade, Jaqueline Moreira. O pleito estava marcado somente para 2012. A nova data ainda não está definida, e depende de novas reuniões nesta semana. "E desta vez, queremos garantir democracia, com urnas eletrônicas, calendário bem divulgado, com chances para todos os interessados se inscreverem, além de acompanhamento de observadores externos", complementou.
Segundo o presidente do DCE Thiago Brozoza, o próprio diretório protocolou pedido no Ministério Público e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para requisitar urnas eletrônicas. "Nós organizamos uma plataforma de eleições para o ano inteiro e não falamos em qualquer momento em renúncia", enfatizou Brozoza.
Movimentos que se opõem à atual diretoria do DCE da PUC acusam os dirigentes de fraudes nos últimos pleitos, incluindo o suposto emprego de chapas fantasmas e a ausência de divulgação dos locais e datas de votação e inscrição. Ao ser questionada sobre as críticas, a pró-reitora disse ter notado, nos últimos seis anos, "problemas de prazos rápidos demais e inadequados".
Na reunião, os estudantes de oposição ainda solicitaram acesso às imagens de câmeras de segurança da PUCRS registradas no protesto da última segunda-feira, no qual, segundo a Brigada Militar, quatro manifestantes, três deles mulheres, foram agredidos por outros quatro jovens, detidos pelos fatos. Jaqueline disse que o pedido vai ser analisado ainda nesta quinta.
Origem da nova onda de protestos na Puc-RS
A impugnação de chapas para o evento que elege delegados para participar de Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) desencadeou manifestações, desde a semana passada. A Brigada Militar compareceu pelo menos três vezes ao Campus, a fim de apaziguar a situação. Além de acusações de participação de chapas fantasmas e de suposta má-fé na divulgação dos locais de inscrição e votação, a ausência de prestações de contas e de investigações da Reitoria sobre o tema também são alvo de críticas dos alunos.
Durante a semana, a gestão do DCE negou a existência de irregularidades e de qualquer agressão. A diretoria da entidade disse ainda ter acionado a BM, na noite de segunda-feira, por se sentir acuada pela multidão e depois que uma estudante, segundo o órgão, tentou roubar uma urna para impedir a eleição no evento da UNE.
Nesta semana, o presidente do DCE, Thiago Brozoza, disse ter dado oportunidade para as chapas se inscreverem novamente para o pleito. "Não me procuraram uma vez sequer para inscrever a chapa", garantiu. "Eles estão procurando algum tipo de confronto desde a última quarta. Fui claro ao conversar, para não entrarmos nas provocações", enfatizou. Ele também sustenta ser alvo de "uma campanha de cunho exclusivamente político, sem qualquer requisição relacionada à universidade".