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Após ser pego pela PF, Embaixada diz que vice da Guiné Equatorial se trataria no Brasil

Comitiva de Teodoro Nguema Obiang foi inspecionada no Aeroporto de Viracopos, em Campinas

O secretário da Embaixada da Guiné Equatorial, Leminio Akuben MBA Mikue, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o vice-presidente do país africano, Teodoro Nguema Obiang, chegou ao Brasil para "tratamento médico e posteriormente seguiria para Singapura em missão oficial". Leminio Akuben MBA Mikue afirmou que os 16 milhões de dólares em dinheiro apreendidos em duas malas que estavam com a comitiva do vice de Guiné na sexta-feira, no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, estavam relacionados à missão oficial.

"Pelo que sabe, o presidente estava no Brasil para tratamento médico e posteriormente seguiria para Singapura em missão oficial; que o presidente relatou ao declarante que os valores destinavam-se à referida missão oficial; que não tem conhecimento sobre do que se trata tal missão oficial; que, segundo o presidente, os relógios eram itens de uso pessoal dele", afirmou.

A aeronave B777-200LR desembarcou em Campinas com 11 passageiros. Obiang foi recepcionado e, por causa das prerrogativas do cargo, não foi inspecionado, mas sua equipe passou pelo crivo da Receita Federal. O auditor fiscal da Receita Alessandro Grisi Pessoa afirmou, também em depoimento à Polícia Federal, que a comitiva do vice-presidente levou 4 horas para entregar as chaves de duas malas.

Leminio Akuben MBA Mikue disse à PF que é "atualmente a maior autoridade diplomática" da Guiné Equatorial no Brasil. O secretário declarou que "estava no Aeroporto de Viracopos, juntamente com o segundo secretário Bienvenido para recepcionar a comitiva do vice-presidente". "Adentraram no aeroporto pelo desembarque internacional e seguiram com o presidente até um outro portão que daria acesso ao helicóptero que o levaria", relatou.

"Não presenciou a Receita Federal pedir que as malas fossem passadas pelo raio-x no momento do ingresso no aeroporto, somente percebendo essa questão quando já estavam no portão de embarque", acrescentou. Segundo o secretário, os fiscais da Receita "exigiam que as malas fossem inspecionadas". Leminio Akuben MBA relatou que o "impasse" sobre a abertura das bagagens do vice da Guiné "persistiu durante todo o dia".

"Em determinado momento, os fiscais ordenaram que as malas fossem abertas dando um prazo de minutos para que isso fosse feito ou então as malas seriam abertas à força", declarou. Leminio Akuben MBA Mikue contou que disse aos servidores da Receita que "tal determinação deveria vir do Ministério das Relações Exteriores e exigiu que lhe fossem apresentados documentos que dessem respaldo a tal ordem".

O secretário queria que fosse aplicada a Convenção de Viena, pela qual "estariam imunes à fiscalização". "Então lhe foi entregue pela autoridade aduaneira um ofício do Ministério das Relações Exteriores o qual sugeria que as malas fossem isentadas de inspeção, onde há também um despacho da Receita Federal consignando que não aplicaria a Convenção de Viena, haja vista que seguia as normas próprias de fiscalização aduaneira", disse.

"Então, foi até o presidente e disse que a ele que as malas deveriam ser abertas ou então a Receita as abriria à força e ele entregou as chaves ao declarante; que as malas foram abertas e no interior de uma delas havia uma quantia em dólares americanos, cerca de R$ 1,4 milhão e cerca de R$ 55 mil; que na outra mala, havia vinte e uma unidades de relógios usados", contou ainda.

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