Depois de a enchente atingir cerca de 1.850 residências em Gravataí, a maioria dos moradores conseguiu voltar para suas casas nesta quinta-feira. No bairro Parque dos Anjos, um dos mais afetados, as famílias encontraram muito lodo e sujeira. Pela manhã, selecionavam os móveis e eletrodomésticos estragados que precisavam ser jogados fora. “Não sobrou nada”, disse a desempregada Luciane Peixoto Paim, 37 anos. Ela saiu do local segurando em um barco na terça-feira e retornou ontem. “Agora temos que rezar para não chover de novo. Já aconteceu várias vezes. Essa não foi a primeira, nem será a última”, declarou.
Os vizinhos da rua Amapá estão revoltados. “Por que não fazem a dragagem dos arroios?”, questionou o técnico em manutenção Sérgio Dias. O soldador Antônio Carlos Dutra de Castro, 53 anos, tentava retirar a areia e pedaços de pedra do asfalto. “Ninguém apareceu para limpar.” No dia que os bombeiros e a Defesa Civil fizeram o resgate dos moradores, não chegou até a Sapolândia onde o grupo mora. “Tivemos que depender da comunidade”, disse o pedreiro Flávio José dos Santos, 47.
O coordenador municipal da Defesa Civil de Gravataí, José Lemos, explicou que havia muita correnteza na área e que não foi possível arriscar a vida dos socorristas. “É o protocolo. Por questão de segurança, tivemos que usar a retroescavadeira e amarrar o pessoal para não ser levado” disse.
Ele informou que a água retrocedeu bastante e apenas oito famílias estavam ainda desabrigadas. O rio Gravataí estava com altura de 4,85 metros. Os arroios estavam voltando ao leito. “Já tem água e luz. Estamos monitorando os mananciais e em alerta, sem desmobilizar as equipes”, observou. A Vigilância Sanitária deve fazer o controle de epidemias.
Após temporais, moradores de Gravataí retornam para suas casas
No bairro Parque dos Anjos, um dos mais afetados, as famílias encontraram muito lodo e sujeira