Em uma delas, chegou a um metro e meio. Muitos móveis foram colocados na calçada, pois já não tinham utilidade. “Nunca a chuva havia entrado dentro das casas. Isso aconteceu, porque parte dos imóveis foi destruída para o alargamento da ERS 118. O entulho ficou e entupiu o valão”, disse um dos moradores Luiz Carlos Santos de Oliveira, 49 anos. Uma empresa disponibilizou retroescavadeiras e caminhões para retirar o lixo e desobstruir o curso d´água. Em poucas horas, foram 17 caçambas.
Uma das casas mais próximas ao valão é a do carroceiro Mário Mesquita, 29 anos. “Perdemos tudo”, lamentou ele, falando dos móveis e eletrodomésticos. A dona de casa Marines Raupp Dias, 49, contou que a família estava na praia e os vizinhos ligaram para avisar da enchente. “Esse é o resultado das obras da Copa do Mundo. Não tem como calcular o prejuízo”, afirmou.
A Secretaria de Obras e de Mobilidade Urbana colocou máquinas no local para recolher resíduos, desentupimento de bueiros e consertos de canos. Já a Secretaria de Desenvolvimento Social está cadastrando as famílias e disponibilizando colchões, alimentação e medicamentos.
Sobre a reclamação das pessoas de que o problema teria sido causado pelas obras da ERS 118, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que deslocou uma equipe técnica para avaliar a situação. No entanto, até o início da tarde, não havia uma conclusão.
A 1ª Superintendência Regional do Daer de Esteio, responsáveis pelas rodovias estaduais naquela região, afirmou que tem recolhido prioritariamente os entulhos das demolições. “Durante essas atividades foi constatada a presença de diversos tipos de materiais, como lixo comum, colchões, pneus, sofás, entulhos, entre outros que não são de responsabilidade da autarquia”, diz a nota encaminhada à imprensa.
O prefeito Vilmar Ballin decretou situação de emergência por causa dos danos em ruas, escolas, prédios públicos e moradias. “Temos uma grande obra, com investimentos de mais de R$ 22 milhões, para a canalização do Arroio José Joaquim”, afirmou. Ele pretende encaminhar projetos junto com o prefeito de Esteio, Gilmar Rinaldi.
Esteio decreta emergência pela segunda vez em dois meses
Em Esteio, o dia também foi de limpeza nesta quinta-feira. Milhares de pessoas tentam recuperar o que restou dentro das residências invadidas pela água da chuva durante o temporal de ontem.
O município foi o mais afetado pelo mau tempo e contabiliza 15 mil atingidos em 14 bairros: 2,4 mil desalojados e 600 desabrigados. Quatro pontos receberam as famílias que tiveram que passar a noite fora de casa. O prefeito Gilmar Rinaldi decretou situação de emergência pela segunda vez em dois meses.
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