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Após três meses de espera, gaúcha recebe novo coração

Ex-metalúrgica passou por transplante no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre

Procedimento durou cerca de quatro horas
Procedimento durou cerca de quatro horas Foto : André Ávila
Morte e vida andam lado a lado, quase de mãos dadas. Um jovem de 22 anos, vítima de um acidente de moto e bicicleta, gerou a continuidade da vida da ex-metalúrgica Vera Rejane Oliveira Marques da Rocha, 45 anos. Mãe de Douglas, 23, e Desireé, 15, e avó de Davi, 6 meses, Vera passou por um transplante de coração, nessa quarta-feira, no Instituto de Cardiologia (IC), feito pela equipe comandada pelo cirurgião Ivo Nesralla, em procedimento que durou cerca de quatro horas. A equipe da operação de número 121 comandada por ele foi composta por quatro cirurgiões, dois anestesistas, três técnicos em enfermagem, um enfermeiro e um biomédico.

Anualmente, o IC realiza dez transplantes, sendo que este ano ocorreram quatro cirurgias. 'Esse número poderia ser maior se houvesse mais doadores e se as famílias entendessem a necessidade de salvar outras vidas com os órgãos dos familiares que se foram', comentou o cirurgião cardíaco Álvaro Albrecht, responsável por levar o coração do Hospital Conceição, na zona Norte de Porto Alegre, até o Instituto do Cardiologia, no bairro Santana.

O transporte foi realizado com o carro particular do médico. Albrecht considera essa a melhor alternativa, visto que uma ambulância sofre muito mais no trânsito. "O ideal é que houvesse batedores de motos para abrir o caminho", opinou.

Albrecht lembrou que há menos de um mês o IC realizou outro transplante, quando outra mulher foi beneficiada com um coração novo. "Precisamos destacar o trabalho da Central de Transplantes, que tem feito o possível e o impossível para salvar vida"', afirmou o cirurgião cardíaco.

Doença levou à aposentadoria precoce

Uma descarga de 20 joules fez o coração de um jovem de 22 anos bater novamente, agora dentro do peito da ex-metalúrgica Vera Rejane Oliveira Marques da Rocha, 45 anos. Cardiopata, Vera se transformara em uma dona de casa havia oito anos, quando precisou se aposentar. A filha, Desireé, 15, lembra que a mãe era muito ativa antes da doença. "Que eu me lembre, na maior parte da minha infância, ela trabalhava muito. Quase não parava em casa."
O marido, Ailton Rocha, 45 anos, confirma. "Ela tinha três empregos. E não adiantava pedir para parar. Agora, só de pensar que ela vai poder cuidar do neto, que tem 6 meses, poder fazer as coisas dela, como escovar os cabelos, fazer as unhas, se locomover, nos dá mais tranquilidade."

A notícia do transplante ocorreu no fim da madrugada, quando o marido voltava de Santa Maria. "Eu estava no pedágio de Venâncio Aires quando ela me ligou dizendo que tinha um coração. Eram 5h20min. Eu me toquei para Porto Alegre. Tive de controlar a euforia para não ultrapassar o limite de velocidade e não cometer nenhuma bobagem na estrada." A doença de Vera foi detectada depois de uma série de vômitos, cerca de 40 por dia. O coração enorme causava o aperto de outros órgãos, como o estômago. "Ela se tratava no Hospital de Clínicas, apesar de morarmos em Itaqui. Fomos para Passo Fundo, no Hospital São Vicente de Paulo, onde detectaram o real problema", relata o marido.

Com a gravidade do estado de saúde da esposa, a família Rocha foi morar em Gravataí. "Faz três meses que ela entrou para a fila do transplante. Se ela fizer metade do que fazia antes está bom demais", comenta. O transplante de órgãos, cuja data mundial é no dia 27, deve ser prestigiado, assevera o motorista. "É preciso que as pessoas tenham consciência de que a doação é importante. Uma pessoa pode salvar a vida de muita gente."

O processo:

* O paciente que necessita do transplante, chamado de receptor, preenche uma ficha e faz exames para determinar as suas características sanguíneas, da estatura física e antigênicas (no caso dos rins), acompanhado e orientado pela equipe médica do centro de transplante de sua escolha ou região de domicílio.

* Os dados dos receptores são organizados em um programa de computador. A ordem cronológica é usada também como critério de classificação.

* Quando aparece um órgão, ele é submetido a exames e os resultados processados ficam à disposição do sistema de classificação de receptores em lista.

* O programa faz o cruzamento entre os dados de doador e receptor e apresenta as dez opções mais compatíveis com o órgão.

* Os dez pacientes não são identificados pelo nome para evitar favorecimento, somente pelas suas iniciais e por números.

* O laboratório refaz os exames e realiza outros novos com material armazenado desse receptor. Nesse momento, o receptor ainda não é comunicado.

* A nova bateria de exames aponta o receptor mais compatível com o órgão.

* O médico do receptor é contatado para responder sobre o estado de saúde do paciente. Se ele estiver em boas condições, é o candidato a receber o novo órgão. Se não estiver bem de saúde, o processo recomeça, seguindo a lista estabelecida, rigorosamente.

* O receptor então é contatado e decide se deseja receber o transplante e em que hospital fará a cirurgia.

Lista de espera até 11 de setembro:

Coração - 15
Córnea - 33
Fígado - 141
Pâncreas isolado - zero
Pulmão - 69
Rim isolado - 1.064
Rim+Pâncreas - 12
Fígado+Rim - 6
Pulmão+Fígado - zero

Fonte: Central de Transplantes / RS


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