A emergência adulta da instituição chegou a atender 197 pacientes num espaço para 49 leitos, o equivalente a quatro vezes a capacidade de atendimento. Nessa quinta-feira, a unidade atendia 123 pesssoas. Segundo Ana, os problemas que se estendem ao longo de vários anos no Sistema Único de Saúde (SUS) agravam a situação nas emergências. Em razão das deficiências encontradas em postos de saúde, pronto atendimentos e mesmo em tratamentos especializados realizados em hospitais, as pessoas acabam procurando esses serviços por, muitas vezes, serem a única forma de acesso ao atendimento médico.
Ana avaliou que as pessoas buscam a emergência como forma de ter acesso a tratamentos de saúde no hospital, já que a espera para conseguir consulta com um especialista, por meio de agendamento SUS, pode se estender por anos.
No verão, grande parte dos pacientes que procuram o local são doentes em tratamento, conforme a enfermeira, como vítimas de problemas oncológicos, nefrológicos e urológicos, entre outros, que têm alguma complicação e buscam solução rápida. Ela salientou que essas pessoas deveriam procurar atendimento em outros locais antes de ir até um hospital.
Inverno pode ter superlotação outra vez
A maior procura, porém, ainda é no inverno, quando aumentam os casos de problemas respiratórios, tanto em adultos quanto crianças, explicou Ana Valéria. Assim, a expectativa é que haja superlotação no hospital e em outros da rede pública da Capital, principalmente nos meses de junho a agosto.
Nota da Secretaria Estadual da Saúde garante investimentos de R$ 900 milhões
A Secretaria Estadual da Saúde divulgou, no final da tarde dessa quinta-feira, uma nota referente as superlotações nos hospitais gaúchos. De acordo com a pasta, o Executivo deve investir até R$ 900 milhões até o final de 2014 e o governo do Estado reforçou os projetos das Unidades de Pronto Atendimento, com atendimento 24h.
Ainda conforme o documento, em 2011, a secretaria aumentou em mais de 166% o valor repassado para os municípios para investimentos. A expectativa para 2012, em relação a Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), é instalar em Santa Maria e Porto Alegre (zona Norte), além da construção em Cachoeira do Sul, Rio Grande, Santa Rosa, Alegrete, Vacaria, Canoas, Cruz Alta, Bento Gonçalves, Bagé e duas com a ordem de início das obras já assinada (Lajeado e Santo Ângelo).
Leia a nota na íntegra:
O Governo do Estado promove a qualificação e ampliação da Atenção Básica, especialmente da Estratégia Saúde da Família, porque entende que o reforço destes serviços pode evitar internações hospitalares, a lotação nas emergências e auxiliar os cidadãos gaúchos na promoção de sua Saúde. A estimativa de de investimentos na área é de R$ 900 milhões até o final de 2014. Além disso, na área das urgências e emergências, o Governo do Estado reforçou a partir do ano passado os projetos das Unidades de Pronto Atendimento, com atendimento 24h.
Na atenção básica, em 2011, a SES aumentou em mais de 166% o valor repassado aos municípios para investimentos neste setor (passou dos R$ 15 milhões pagos em 2010 para R$ 40 milhões) e modificou os critérios para distribuição das verbas, priorizando os municípios com menor renda. As ações integram o Programa de Qualificação da Atenção Básica.
Entre as metas estão a implantação de equipes de Saúde da Família em 100% dos municípios gaúchos; ampliação da cobertura da Estratégia Saúde da Família em 33% para 70% da população; Implantar o Telessaúde para todas as equipes de Saúde da Família; Melhorar a estrutura das Unidades Básicas de Saúde e promover educação permanente às equipes de saúde.
Em relação às UPAs, as duas primeiras unidades no Estado começaram a atender ano passado, em Novo Hamburgo (inaugurada em setembro) e Bom Princípio (novembro). Para 2012 estão previstas ainda a abertura das UPAs de Santa Maria e Porto Alegre (Zona Norte), além da construção em Cachoeira do Sul, Rio Grande, Santa Rosa, Alegrete, Vacaria, Canoas, Cruz Alta, Bento Gonçalves, Bagé e duas com a ordem de início das obras já assinada (Lajeado e Santo Ângelo).
As Unidades de Pronto Atendimento são estruturas de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde e as portas de urgência hospitalares, onde em conjunto com estas compõem uma rede organizada de Atenção às Urgências. Com o objetivo de diminuir as filas nos prontos-socorros dos hospitais, as UPAs funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e podem resolver grande parte das urgências e emergências. A estratégia de atendimento está diretamente relacionada ao trabalho do Serviço Móvel de Urgência – SAMU que organiza o fluxo de atendimento e encaminha o paciente ao serviço de saúde adequado à situação.