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Apesar da expectativa de caos aéreo, situação é normal no Salgado Filho

Dos 46 voos programados para esta manhã, apenas oito atrasaram mais de 30 minutos

Aeroviários vão retomar mobilização em janeiro
Aeroviários vão retomar mobilização em janeiro Foto : Pedro Revillion
Apesar da expectativa de um possível caos aéreo no fim de ano, o dia começou tranquilo no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Cumprindo decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), os aeroviários trabalham normalmente nesta quinta-feira, antevéspera de Natal. Dos 29 voos previstos para deixar Porto Alegre nesta manhã, dois foram cancelados e três partiram com atraso de mais de 30 minutos. A situação é um pouco pior em relação aos pousos. Dos 17 voos programados para pousar na capital gaúcha, um foi cancelado e cinco chegaram com atraso superior a meia hora. Conforme a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a situação é considerada normal para uma véspera de feriado.

Em todo o país, segundo a Infraero, dos 544 voos domésticos programados da meia-noite de hoje até as 8 horas, 164 voos (30,1%) tiveram atrasos superiores a 30 minutos. No Aeroporto de Brasília, nove voos (50%) registraram atraso e um foi cancelado. No Galeão, no Rio de Janeiro, 34,6% dos voos tiveram atrasos e dois foram cancelados. No Aeroporto Santos Dumont, também no Rio, 11,5% das decolagens previstas registraram atrasos e houve três cancelamentos. São Paulo. Em Congonhas, na zona sul de São Paulo, dos 32 voos programados, quatro (12,5%) tiveram atrasos e oito (25%) foram cancelados. Já em Guarulhos foram 12 atrasos (30%) e dois cancelamentos (5%).

Aeroviários vão retomar mobilização em janeiro


Após a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de que pelo menos 80% dos funcionários do setor aéreo não entrassem em greve, cujo início estava programado para hoje, continua o impasse entre os trabalhadores e as companhias aéreas sobre o reajuste salarial. Segundo o porta-voz do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Jorge Honório, por volta das 2 horas da madrugada os sindicatos dos empregados entraram em contato tentando retomar as negociações.

"Nós vamos conversar. Falou-se em um reajuste de 8%, que eles colocariam em votação na assembleia de hoje. Vamos ver o que dá para fazer em cima disso", comentou Honório. Já o presidente do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo (Saesp), Reginaldo Alves de Souza, disse que a categoria desconhece a proposta de reajuste de 8%, já que não recebeu nenhuma notificação oficial do sindicato patronal. "A assembleia realizada no começo da manhã suspendeu a paralisação. Mas vamos reiniciar a mobilização a partir do dia 3 de janeiro", explica.

Souza criticou a decisão do TST de aplicar uma multa de R$ 100 mil por dia caso os sindicatos não cumprissem a meta mínima de 80% dos funcionários trabalhando. "O TST tolheu nosso direito constitucional de greve. É uma mordaça na boca dos trabalhadores. O sindicato das empresas fez uma grande mobilização durante a madrugada para desmantelar nossa mobilização", afirmou. Segundo ele, funcionários de algumas companhias aéreas que operam no Aeroporto de Congonhas chegaram a dormir dentro de ônibus no pátio do aeroporto, para não serem impedidos de voltar para o trabalho hoje no caso de um possível piquete promovido pelo sindicato que, dificultaria a entrada deles.

No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, alguns trabalhadores chegaram a realizar protestos em frente aos balcões de check-in das companhias aéreas, mas nenhum funcionário foi impedido de trabalhar. Segundo Souza, em Congonhas não houve protestos porque o sindicato estava realizando outras atividades.

Uma das reclamações dos aeronautas é que muitos empregados estão se aproximando do limite máximo de horas de voo estabelecido pelas regras de aviação no Brasil. Mas de acordo com o porta-voz do Snea, as companhias aéreas vão funcionar normalmente nesse período de festas de fim de ano. "Os funcionários podem até atingir esse limite, eles só não podem ultrapassá-lo", explicou Honório.

Os aeronautas são os profissionais que trabalham nos voos (comissários, pilotos e copilotos) e os aeroviários são os que atuam em solo, como mecânicos e pessoal de check-in. Os aeroviários defendem 15% de reajuste salarial e os aeroviários, 13%, enquanto a proposta oficial das companhias aéreas é de 6,85%, considerando a correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais meio ponto porcentual de ganho real.


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