"A mulher tem direito de transitar e permanecer onde quiser, já que não possui nenhum problema de saúde", explicou a secretária de Assistência Social, Ione Lemos, ao relatar que várias tentativas foram feitas para retirar a moradora de rua do local. Segundo a secretária, a mulher "mora" na rua desde 2006. "Ela não aceita convite para trocar a calçada por um albergue ou um asilo", explicou Ione.
Ivonete contou que chegou ao Centro por não aceitar algumas condições impostas por familiares que moram no bairro Salgado Filho, região norte da cidade. "Eu morava em um quarto, mas não concordava com algumas atitudes deles e resolvi sair para a rua", relatou Ivonete, que passa o dia embaixo de uma marquise cercada por vários sacos e alguns cobertores.
Moradores da região também tentaram convencer Ivonete de que a calçada não é o local ideal para ficar, mas a mulher não aceitou os argumentos, segundo um comerciante que preferiu não se identificar. Em várias oportunidades, funcionários da Secretária de Assistência Social tentaram convencê-la a sair do local, mas desistiram devido à resistência de Ivonete, que não permite que as pessoas se aproximem das sacolas e cobertas.
Segundo o assistente social James Pizarro, a lei de saúde mental é clara: "só permite que uma pessoa seja internada compulsoriamente quando esta coloca em risco sua própria integridade ou a de outros". Apesar do frio, Ivonete continua na calçada e é a única moradora de rua no Centro da cidade.