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Apostadores de bolão querem suspender sorteio da Mega Sena

Licença de funcionamento da Esquina da Sorte está suspensa até o final da investigação

O advogado de 21 dos 40 apostadores do bolão da Mega Sena de Novo Hamburgo vai pedir judicialmente a suspensão do sorteio desta quarta-feira. A ação será proposta amanhã. A intenção é que o prêmio de R$ 53 milhões ao qual o grupo afirma ter direito seja preservado até o fim das investigações da Polícia Civil. Os apostadores dizem ter acertado as dezenas sorteadas no sábado. O bolão foi comprado na lotérica Esquina da Sorte, no Centro da cidade, mas a aposta não foi registrada na Caixa Econômica Federal. 

Já o advogado do proprietário da lotérica Esquina da Sorte deve comparecer ainda hoje à 2ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo para levar as primeiras provas que, segundo ele, inocentariam seu cliente. Marcelo Dellatorre Dias informou que o empresários está tomando tranquilizantes para suportar a situação. Ele disse que o mais provável é que tenha ocorrido um erro da lotérica ou da empresa responsável pela confecção dos bolões.

Dias disse que os jogos coletivos são comprados de uma empresa, que não soube explicar onde fica. Os kits vêm com cartaz de divulgação, lista para pôr o nome e telefone dos apostadores, 40 comprovantes de participação para os jogadores e as cartelas volantes, que são inseridas na máquina de apostas. Nessa quarta-feira, a hipótese levantada pela gerência da lotérica foi que os números das volantes e dos comprovantes não seriam os mesmos.

Segundo Dias, em um encontro com representantes da Caixa foi concluído que não houve falha no sistema de apostas. Ele informou que uma funcionária da lotérica descobriu no sábado que os números apostados não eram os mesmos dos comprovantes. O pai dela é um dos participantes do bolão.

Três advogados estão fazendo uma auditoria para tentar descobrir o problema. A lotérica Esquina da Sorte funciona há 20 anos, explicou Dias. “O delegado vai afastar a hipótese de estelionato quando conhecer as provas que temos”, garantiu.

Sindicato dos lotéricos pode processar empresário

O presidente do Sindicato dos Lotéricos do Estado, Paulo Michielon, explicou que os bolões representam de 5% a 15% do faturamento das empresas de apostas. O lucro da lotérica é de 40% do que for arrecadado. Após a Caixa apurar o caso, o colegiado do sindicato vai avaliar se cabe alguma punição para a agência de Novo Hamburgo.

“Eles podem até ser processados”, explicou o dirigente, lembrando que o episódio pode gerar prejuízos para outros estabelecimentos. Ele disse que há muitos questionamentos sobre o caso do Vale do Sinos e receio de que parte do prêmio seja bloqueado para o pagamento dos “vencedores”, mas garantiu que isso não vai acontecer.

Polícia vai conferir se houve outros bolões
A Polícia Civil (PC) recebeu hoje outro bolão do concurso de sábado na mesma lotérica, mas cujos números não foram vencedores. O delegado Clóvis Nei da Silva vai pedir à Caixa que apure se a aposta foi feita. Dez pessoas já foram ouvidas pelo policial, que trabalha com a possibilidade de crime de estelionato.

PF pode entrar na investigação
A investigação para apurar se houve crime na Mega Sena de Novo Hamburgo é exclusiva da Polícia Civil, mas os desdobramentos podem levar o caso à Polícia Federal (PF). O órgão aguarda manifestação da Superintendência da Caixa Econômica Federal, que deve solicitar o trabalho dos agentes federais caso haja indícios de que o o sistema da caixa foi usado com má fé.

Caixa suspende licença da Esquina da Sorte
A licença de funcionamento da lotérica Esquina da Sorte, em Novo Hamburgo, está suspensa até o fim da apuração de denúncia de prática de atividade irregular por parte da unidade. Caso se confirme a irregularidade, será aplicada a penalidade prevista nas normas internas, que podem ir de uma simples advertência até a revogação compulsória da permissão.