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Artista oferece 'sopa de pedra' em Porto Alegre

Ação ocorreu na noite fria de sexta-feira e surpreendeu quem passava pelo Centro da Capital

Porto Alegre é a terceira capital brasileira a receber a exposição, que já passou por Rio de Janeiro e São Paulo, além de Londres
Porto Alegre é a terceira capital brasileira a receber a exposição, que já passou por Rio de Janeiro e São Paulo, além de Londres Foto : Fabiano do Amaral
Uma ação inusitada chamou a atenção de quem passava pelo viaduto Otávio Rocha, no Centro Histórico, na noite de sexta-feira: a distribuição de 'sopa de pedra'. O prato leva ingredientes reais, mas também é ornamentado com uma escultura de legumes em pedra sabão. Apesar de estranha, a iniciativa do artista mineiro Matheus Rocha Pitta é apresentar uma performance coletiva sobre a fome e solidariedade.

Pitta explica que a exposição teve origem em uma lenda contada por seu pai. A história relata as dificuldades de um homem faminto que chega a uma aldeia. No começo, ninguém lhe oferece comida, mas no final, a cidade inteira dá ingredientes e fica envolvida. "A pedra é o signo da fome e também da partilha. Tive a ideia de fazer essa escultura, com ingredientes esculpidos em pedra sabão e reais. A escultura só acontece quando é servida", relata.

Porto Alegre é a terceira capital brasileira a receber a exposição, que já passou por Rio de Janeiro e São Paulo, além de Londres. "Uso muito a comida no meu trabalho, a partir da ideia de como partilhar o valor da comida, como as pessoas convertem arte em comida, como alcançar maior número de pessoas possíveis", observa. Na Capital, a exposição ofereceu 100 pratos, que levavam cenoura, cebola, alho, caldo de carne e batata.




O gari Fábio de Oliveira Ramos, 42, aguardava ansioso na fila para experimentar o misto de obra de arte e comida. "Achei excelente a ideia. E a sopa de verdade está aprovada. Se desse para comer o alho em pedra sabão, comeria". afirma. Morador do bairro Menino Deus, Oliveira garantiu que iria pedir a receita para fazer em casa para os nove filhos.

O artista plástico Antônio Soares, conhecido como Frantz, também aprovou a ação — que faz parte da programação da Fundação Iberê Camargo e conta com apoio do restaurante Justo. "Já conhecia o trabalho dele. O Pitta mexe com as ideias do próprio urbano e das relações com a cidade. Tira as coisas do lugar comum e sai da zona de conforto", avalia.