Atualmente, 150 idosos vivem no asilo. Do total, cerca de 40% não têm nenhum vínculo familiar. Esse é o caso de Maria Schirley Campos, 65 anos, que dançou ao som da Banda do Exército, também presente na festa. "É uma alegria viver aqui. Minha família é essa", disse enquanto balançava os brincos e os colares que carregava no peito. "Aqui faço ginástica, fisioterapia, canto, danço e participo da roda de samba", falou animada.
Para a professora aposentada, Ivone Golçaves, 80 anos, a casa foi uma grande surpresa. Depois de morar sozinha e sofrer de depressão, foi no Padre Cacique que ela voltou a ver sentido na vida. "Cheguei aqui para ficar uns três meses, mas já comemoro quase 13 anos de instituição", contou. Ivone auxilia as enfermeiras nos trabalhos manuais dirigidos às idosas que recebem tratamento na cama. "Ainda danço e leio muito, coisa que gosto", revelou a vaidosa senhora, que por mais de 20 anos fez parte da Escola de Samba Praiana.
Neste domingo, as atenções estavam voltadas também ao mais novo casal da instituição. A união de Ari Castro, 91 anos, e Leopoldina Cardoso de Souza, 82 anos, completou uma semana. Os dois casaram no Dia dos Namorados, na capela do próprio asilo. "Aqui é nosso lar. É bom descobrir uma nova companheira e ser feliz", disse o Castro.
O Asilo Padre Cacique é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que atende de forma gratuita todos os abrigados. "Contamos exclusivamente com o apoio da comunidade. Cada vovô nos custa cerca de R$ 1,8 mil. É graças aos nossos colaboradores anônimos que mantemos a obra, que hoje é excelência no que se propõe", disse o presidente Edson Brozoza.