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Ataques reacendem a polêmica sobre temperamento do Pit Bull

Veterinário reforça que a raça não é agressiva, mas segue o seu instinto

Ataques de Pit Bull reacendem a polêmica sobre os cães
Ataques de Pit Bull reacendem a polêmica sobre os cães Foto : Mauro Schaefer
Vítima de preconceito ou vilão assassino? A resposta para esta pergunta, em se tratando de um American Pit Bull Terrier - ou simplesmente Pit Bull - divide opiniões. De um lado, os donos dessa raça de cão afirmam que o animal é manso e não ataca ninguém. Um outro grupo, além de admitir sentir medo desses cachorros, prega a sua extinção. Os recentes casos de agressão de Pit Bull são usados por estas pessoas para sustentar as suas opiniões.

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Nem uma coisa, nem outra. Em primeiro lugar, é necessário lembrar que Pit Bull é um animal como qualquer cachorro, e, como tal, segue o seu instinto, agindo de modo atávico, diz a médica-veterinária Ana Paula Bina da Silveira. Segundo ela, esta raça é agressiva com outros animais, não com pessoas. De acordo com normas internacionais, o Pit Bull não é considerado cão de guarda, mas sim de esporte (caça) ou companhia. "Os Pit Bulls puros não são agressivos", salienta a veterinária. Ela possui um casal desta raça e já vendeu mais de cem filhotes deles. "Os casos de ataques a seres humanos são perpetrados por cães mestiços", salientou Ana Paula, destacando que são raros os ataques de Pit Bulls de pedigree. Estes geralmente são registrados em instituições oficiais de cinofilia.

Ao lado da cadela Kira, de 6 anos, Ana Paula aponta que existe muito preconceito, pois qualquer animal com porte mais avantajado é classificado como Pit Bull. A médica veterinária lembra que tempos atrás levou para a faculdade dez cães, de raças diferentes, mas nenhum Pit Bull. Em uma turma de formandos, ela mostrou os animais e pediu aos futuros veterinários que dessem a classificação das raças. Os cães ficaram perfilados, enquanto os alunos os analisavam. "Todos os formandos encontraram pelo menos um cachorro que classificaram como Pit Bull no grupo", recordou. "Um dos alunos, inclusive, chegou a confundir com um Dog Alemão", diz.

Ana Paula afirma que a criação e o adestramento fazem a diferença na criação. A cadela Kira, inclusive, é campeã em exposições, sem ter registrado qualquer problema de comportamento. Entretanto, salienta a veterinária, se o cão for criado para ser agressivo, ele agirá desta maneira. "É um animal com muita força", ressalta a médica veterinária. "Nas mãos erradas, pode se transformar em uma arma em potencial", adverte.

Ana Paula reforça que a raça não é agressiva com seres humanos. Mas, comenta, as pessoas insistem no erro de acharem que o cachorro pensa como ser humano. O cão não vai racionalizar que a criança que ele está vendo é filha do seu dono. "O Pit Bull é um cão de caça, e, para ele, aquela criança é uma caça", analisa. "O cão vai atacar, pois a paciência dele é muito curta", diz ela.


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