Cerca de 40 mulheres participaram de manifestações no centro de Porto Alegre na tarde desta segunda-feira contra a violência. O ato iniciou por volta das 15h na Esquina Democrática, e depois foi feita uma caminhada até o Paço Municipal, onde a manifestação prosseguiu. A principal reivindicação do grupo foi a falta de políticas públicas de apoio às vítimas de violência, já que na avaliação delas as três esferas de governo tem falhado neste aspecto.
Três pontos eram usados como exemplo do problema, a situação precária da Casa Viva Maria, que acolhe vítimas de violência, a escassez de recursos e apoio da Casa Mirabal, ocupação que também faz um trabalho de acolhimento à mulheres, e a escassez de delegacias especializadas para atender. “O Rio Grande do Sul se tornou um dos estados mais violentos do país, que responde hoje a 10% dos casos de feminicídio de todo país”, afirma a integrante do Núcleo 8 M, Zadi Zaro. O movimento era um dos envolvidos na manifestação de ontem, data que marca o Dia Mundial Pela Não Violência contra Mulheres. Na avaliação dela, Porto Alegre tem poucas delegacias especializadas, e o problema se repete no interior do estado. Na Capital há uma Delegacia da Mulher (Deam) para atender toda a população de 1,5 milhão de habitantes da cidade.
Zadi também criticou a falta de investimento na Casa Maria, que de acordo com ela vem sendo abandonada pelo Poder Público e encontra cada vez mais dificuldades para desenvolver o trabalho. “A Lei Maria da Penha é resultado de muita luta, assim como a Casa, e agora estão sucateando ela.”
No megafone as manifestantes repetiam a frase “viver sem violência é direito de todas nós”, algo que de acordo com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim), Márcia Martins, não tem sido tratado de forma adequada pelo governo municipal. “O Conselho está sem recursos, não há políticas municipais de acolhimento, e a Casa Viva Maria tem falta de funcionários e condições, tudo isso é muito grave.” Todas essas manifestações foram colocadas em uma carta do grupo direcionada ao prefeito Nelson Marchezan Júnior.
O dia 25 foi definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como data para ações voltadas ao combate da violência contra mulher. Durante toda a semana diversos países terão ações alertando para o problema. Em Porto Alegre as atividades iniciaram no dia 20 de novembro, segundo Márcia como forma de representar as mulheres negras “que são as que sofrem duplamente, com o machismo e o racismo.”