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Ato público marca paralisação de médicos conveniados no Estado

Categoria reivindica reajuste nas consultas de 34 planos de saúde

Os beneficiários de planos de saúde que precisaram de atendimento médico encontraram muitas portas de consultórios fechadas. Os profissionais deixaram de atender consultas de algumas operadoras ontem no Rio Grande do Sul, assim como ocorreu em outros Estados e no Distrito Federal. A paralisação durou 24 horas e, nesse período, o atendimento às urgências e emergências foi mantido. Os clientes afetados pela mobilização devem remarcar as consultas.

Na Capital, os médicos protestaram em frente ao prédio do Hospital Beneficência Portuguesa, localizado no Centro Histórico da cidade. A principal reivindicação dos profissionais é o reajuste no valor pago pelas consultas. De acordo com o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argolo, a média nacional paga pelos planos de saúde aos médicos é de R$ 40 por consulta, mas eles querem ao menos R$ 80.

Segundo ele, no Rio Grande do Sul os valores variam entre R$ 30 e R$ 50. Argolo aponta que, nos últimos dez anos, os planos aumentaram 150%, conforme autorização da Agência Nacional de Saúde (ANS), no entanto, só foi repassado 50% de honorários aos profissionais. O dirigente também chamou atenção para a proibição feita pelas companhias aos profissionais no que diz respeito a solicitação de exames mais complexos, de exigência de alta tecnologia. Por serem mais precisos, demandam mais recursos, ou seja, custam mais caros às empresas.

“É uma mobilização que visa discutir de maneira transparente a qualidade do atendimento dos planos de saúde. Buscamos elevar o pagamento aos médicos e aproveitamos para chamar a atenção também para esse fato das proibições de exames complexos”, salientou Argolo. A mobilização não afetou os planos do IPE e da Unimed, os quais já haviam sido negociados. Dados da Comissão Nacional de Saúde Suplementar apontam que 46 milhões de brasileiros têm plano de saúde, sendo 2,5 milhões no Rio Grande do Sul.

A Comissão Estadual de Honorários Médicos do Rio Grande do Sul (CEHMRS), formada por Simers, Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) e Conselho regional de Medicina (Cremers), lidera a negociação. Para o presidente do Cremers, Isaias Levy, se não for tomada uma medida referente ao reajuste das consultas e aos procedimentos médicos, o quadro negro da saúde pública avançará também para a rede privada. “O setor privado está se constituindo em um Sistema Único de Saúde (SUS) particular”, afirmou.

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