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Ato público marcará um ano de tornado que devastou Canela

Ventos de 124 km/h destruíram 52 casas e danificaram parcialmente outras 74, na Serra

Lucila Camilo aguarda o término das obras da nova casa
Lucila Camilo aguarda o término das obras da nova casa Foto : Halder Ramos / Especial CP
Será realizado nesta quinta-feira, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Canela, um ato público em apoio aos atingidos pelo tornado que devastou a cidade, há um ano. A comissão pós-tornado promoverá um abraço coletivo. Os sete bairros atingidos pelo fenômeno, em 21 de julho de 2010, ainda têm as marcas da destruição.

Além do pânico da população ao menor sinal de chuva, a demora no andamento das obras de reconstrução é motivo de polêmica. Ao todo, 720 residências foram danificadas por ventos de até 124 km/h e 4.129 árvores foram derrubadas. Também foram registrados estragos em estradas, prejuízo total estimado pela Defesa Civil de R$ 54 milhões. Depois do abraço, as vítimas caminharão até a prefeitura de Canela para a leitura de um manifesto sobre a lentidão das obras.

Para reconstruir o município, a administração municipal buscou R$ 7 milhões junto ao governo federal, além de conseguir a liberação de R$ 4,5 milhões do FGTS para as vítimas do desastre. Em tom de desabafo, o prefeito Constantino Orsolin realizou, pela manhã, uma espécie de prestação de contas do tornado. O destino dado aos recursos obtidos no governo federal é alvo de uma CPI na Câmara de Vereadores.

Conforme o prefeito, R$ 5 milhões foram destinados para obras de infraestrutura e R$ 2 milhões para investir na construção das residências. “Não fui eu quem determinou onde deveria ser investida a verba, mas a Defesa Civil, que fez o levantamento dos estragos”, afirma. “Conseguimos a liberação do FGTS em tempo recorde”, completa. De acordo com ele, a conta da prefeitura municipal está com saldo de R$ 3 milhões por conta do repasse do governo federal. “O recurso será investido em obras”, frisa.

Segundo Orsolin, 52 moradias foram totalmente destruídas e receberam recursos públicos, além de outras 74 que precisam de reformas. “Temos 12 casas, 20 em fase de conclusão e outras 20 que ainda serão construídas”, afirmou. Segundo ele, a demora na execução das obras é resultado da burocracia para contratação da empresa responsável. “O aquecimento do setor da construção civil e o baixo valor do contrato fizeram as construtoras desistirem. Fechamos contrato com uma empresa que cumpriu todas as exigências legais”, disse.

Orsolin reconhece que algumas das residências construídas apresentam problemas, mas destaca que a empresa contratada não recebe recursos em caso de qualquer problema de infraestrutura. “Não fizemos pagamento para serviço mal feito. Todo o trabalho e qualquer problema na execução é responsabilidade da construtora."


Lucila Camilo aguarda o término das obras da nova casa | Crédito: Halder Ramos / Especial CP

Vida nova após o vendaval

Evandro Lodéa foi uma das vítimas do tornado: a casa dele, no bairro Santa Terezinha, “voou” para o terreno do vizinho no momento do tornado. “Minha mãe estava dentro de casa, mas felizmente não sofreu ferimentos. Não conseguimos recuperar praticamente nada”, conta. Segundo ele, até os gatos de estimação da família ficaram perdidos. “Tivemos uma gata, a Lilika, que ficou sete dias debaixo dos escombros e saiu viva. O filhote dela foi encontrado morto”, diz.

Conforme Evandro, a mãe ainda carrega um trauma muito grande por conta do episódio. “Ela fica assustada toda vez que chove, mas considero o tornado uma grande virada nas nossas vidas. Meus pais eram separados e, após o vendaval, tudo mudou. O vendaval levou embora o passado e recomeçamos do zero”, afirma.

Segundo Lodéa, a nova casa foi uma das primeiras construídsa com recursos públicos. “Faz uns três meses que voltamos a viver aqui. Nossa casa era quatro vezes maior, mas o tamanho da nova é suficiente. Só moramos eu e minha mãe. Nós construímos uma garagem e uma lavanderia. Também colocamos azulejos e compramos a tinta para melhorar o aspecto visual”, descreve.

O jovem diz não ter reclamações da nova moradia, mas acredita que a qualidade da obra deixou a desejar. “Sei que não é obrigação do governo. No entanto, com o que foi gasto, a casa poderia ser melhor”, opina.

Quem ainda não conseguiu voltar para a casa própria foi Lucila Camilo, que continua morando com a filha. Segundo ela, a obra está parada há um mês. “Prometeram entregar a minha casa antes do Natal, mas até agora nada. Meu neto também está na mesma situação. Hoje, ele está morando com a sogra e pagando aluguel”, diz.

Lucila conta que a construção apresentou diversos problemas de execução e que o trabalho precisou ser refeito duas vezes. “Não fizeram fundação nenhuma, só botaram as pedras de obra e ergueram as paredes. Colocaram as janelas muito baixas e tiveram que refazer. Depois, precisaram levantar o telhado. Não perdi as esperanças ainda, mas ninguém sabe responder quando vou ter minha residência de novo”, desabafa.

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