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Atos contra aumento da passagem devem ocorrer Porto Alegre e São Paulo

Mobilização está programada para esta quinta-feira

Um novo ato público contra o aumento da passagem de ônibus ocorrerá simultaneamente nesta quinta-feira em Porto Alegre e em São Paulo, que tem sido palco de intensos protestos nos últimos dias. A manifestação deve voltar a reunir milhares de pessoas.

Através do Facebook, a página do evento "Porto Alegre convoca ato nacional: Na nossa conquista ninguém mexe" indica a confirmação de 2 mil pessoas no protesto na Capital gaúcha. A concentração para a passeata está marcada para 18h no Largo Glênio Peres, próximo à sede da Prefeitura da Capital. De lá, o grupo seguirá em caminhada pelas ruas e avenidas da cidade.

Em abril, a Justiça acatou uma liminar da bancada socialista na Câmara de Vereadores suspendendo o reajuste que elevou a tarifa do ônibus na Capital gaúcha de R$ 2,85 para R$ 3,05 em março. O preço cobrado nas lotações também havia subido de R$ 4,25 para R$ 4,50, alta que também foi impedida na ocasião.

Ontem, o procurador do Ministério Público do Estado, José Túlio Barbosa, encaminhou um parecer favorável à manutenção do valor da passagem de ônibus em R$ 2,85. O documento conta com 36 laudas e foi remetido para a 22ª Câmara do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado. A previsão é de que o recurso seja julgado entre uma e duas semanas no TJ.

Série de protestos em Porto Alegre

No dia 25 de março foi sancionado o aumento da passagem de ônibus na Capital de R$ 2,85 para R$ 3,05. Desde que o pedido de reajuste na tarifa foi protocolado, uma série de protestos ocorreu na Capital.

Dois dias após o aumento entrar em vigor, uma mobilização em frente ao Paço Municipal foi marcada por atos de vandalismo. Com o uso de pedaços de madeira, tintas, entre outros objetos, um grupo tentou invadir o prédio da prefeitura. O secretário de Governança Local, Cézar Busatto, acabou atingido por tinta vermelha e funcionários da prefeitura ficaram feridos. O prefeito José Fortunati classificou os manifestantes como "baderneiros".

Polícia paulistana reforça efetivo

A polícia paulista está se preparando para o protesto marcado para esta quinta-feira com policiais extras e criando meios para prender mais manifestantes por eventuais atos de vandalismo. A Polícia Militar filmará a ação por meio do sistema Olho de Águia, que inclui imagens de helicópteros e câmeras espalhadas pela cidade.

Os PMs que estiverem pelas ruas do centro também contarão com câmeras. As imagens serão usadas como provas em eventuais processos judiciais e também serão encaminhadas para o Ministério Público. A Polícia Civil pretende infiltrar agentes no meio do protesto, também com o objetivo de responsabilizar criminalmente os responsáveis pelo quebra-quebra.

Ontem, 13 pessoas continuavam detidas pelos protestos. A estratégia da polícia para manter os manifestantes presos é enquadrar quem cometer vandalismo por formação de quadrilha, o que tem gerado discussões.

Também haverá a presença de policiais extras, retirados do trabalho administrativo para reforçar o policiamento do centro. O objetivo da PM é deixar faixas livres para a circulação de veículos e impedir que os manifestantes bloqueiem vias vitais para o tráfego da cidade, como as Marginais Tietê e Pinheiros.

Protestos em São Paulo ganham repercussão internacional

A onda de protestos contra o aumento das tarifas de transporte público em São Paulo tem repercussão nos principais veículos de informação do exterior. As imagens de quebra-quebra nas ruas da capital paulista chamaram a atenção fora do País e, nessa quarta, um pequeno grupo de brasileiros protestou em Paris contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o PT.

O jornal "El País", da Espanha, afirma que a intensidade das manifestações surpreende. "O Brasil, pouco acostumado a protestar na rua, desta vez se levantou nas principais cidades do país contra o aumento das passagens do transporte público", afirma a publicação, lembrando que nem mesmo diante de grandes escândalos de corrupção política houve confrontos deste tipo.

Para o diário espanhol, a classe média brasileira está aplaudindo a atuação das autoridades, que têm pedido uma ação mais enérgica dos policiais contra as manifestações "que estão paralisando o tráfego em cidades que por si mesmas já são supercongestionadas".

A rede norte-americana CNN lembra que o protesto da última terça, mesmo debaixo de chuva, foi o mais intenso, e reforça acusações de manifestantes de que a polícia teria começado os atos de violência. A emissora britânica BBC, de Londres, afirma que as manifestações causam uma saia-justa para algumas cidades, em função da realização da Copa das Confederações. "Os protestos chegam em um momento sensível para o Rio, que está entre as sedes da Copa das Confederações, que começa no sábado", afirma o jornal.

Com informações da Agência Estado

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