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ATP alega “falta de objetivo claro” em edital do transporte público

Nova licitação vai ocorrer somente daqui seis meses

Empresas não apresentaram propostas em licitação do transporte público
Empresas não apresentaram propostas em licitação do transporte público Foto : André Ávila
A alegação da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) para a falta de propostas para operar o sistema de transporte coletivo na Capital foi a falta de um objeto claro no edital. O gerente executivo da ATP, Luiz Mário Magalhães Sá, explicou que havia imprecisões no documento e isso inviabilizaria o cálculo a ser apresentado por qualquer empresa. O motivo seria a previsão de redução da frota, com a entrada dos BRTs e do metrô.

“A falta de um objeto a ser explorado não permite às empresas fazerem os estudos econômicos, sequer os cálculos da tarifa. Até 2020, todo o objeto vai mudar completamente”, declarou em coletiva, dizendo que, pelo menos um dos consórcios, perderia mais de 60% da frota e também de trabalhadores.

Ele, contudo, negou que houvesse uma combinação entre as companhias. “Temos o máximo interesse em participar. Existe pontos no edital que não concordamos. Nossa assessoria jurídica entendeu que tinham irregularidades no edital”, justificou.

A ATP havia feito há um mês apontamentos, que não teriam sido considerados pela prefeitura. O advogado da entidade, Darci Rebelo Júnior, explicou que as sugestões foram feitas no sentido de colaborar como processo. Como as mudanças não chegaram a ser feitas de acordo com o que as transportadoras tinham interesse, as 12 empresas que operam o sistema em Porto Alegre entraram com ação, em conjunto, para suspender a licitação. “É previsto que qualquer licitante pode impugnar”, salientou Rebelo. “Se as decisões coincidem é porque o edital é muito malfeito”, afirmou Magalhães Sá. “Não há empresas interessadas em todo o país em participar”,continuou.

Ele ainda contou que as empresas tentaram de todas as formas viabilizar propostas e, inclusive, se qualificaram para participar e estavam com os envelopes prontos para serem entregues, caso houvesse alguma decisão jurídica que fosse favorável. O gerente da ATP criticou também a falta de clareza na metodologia do cálculo da tarifa e o curto prazo para a elaboração do edital. “A prefeitura elaborou um edital às pressas. O resultado só poderia dar no que deu. O edital trouxe uma série de alterações de operação”, disse.

Falta de propostas

O prefeito José Fortunati ficou surpreendido com a falta de proposta. Conforme ele, o modelo na Capital é atrativo. “Tenho convicção, porque conheço o sistema de ônibus de todo o país. O nosso é muito atrativo. É um dos melhores do país. Queremos dar um salto de qualidade. Todo mundo reconhece que a nossa malha é uma das melhores”, disse.

Ele declarou que espera que a próxima licitação tenha propostas, porque o processo seria inviabilizado mais uma vez caso não houvesse interessados. “Vamos fazer o possível para que a próxima não seja deserta mas não depende só da gente”, explicou. “A licitação tem que atender o interesse do usuário. Tem que ser equilibrada e visar a qualificação do sistema”, continuou.

As possíveis mudanças no edital devem ser feitas de forma transparente e com debate entre o poder público e a sociedade, conforme Fortunati. Entre os itens mais solicitados pelos usuários está a inclusão de ar-condicionado em toda a frota. O edital também estabelecia a redução do número de passageiros por metro quadrado e criação de instrumentos de monitoramento para controle da qualidade do serviço prestado.

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