O presidente do Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil admitiu, em entrevista à Rádio Guaíba, que a greve no setor pode beneficiar as empresas aéreas. Segundo Celso Klafke, a suspeita é de que os empresários tenham conduzido o início da greve para quinta-feira para atribuir aos trabalhadores o caos aéreo, já anunciado.
O sindicalista garante que não há estrutura nem pessoal para as empresas darem conta da demanda de voos a partir desta quinta-feira. “Os atrasos já estão acontecendo, independentemente de nós”, disse. A tendência é de que aeronautas (tripulantes) e aeroviários (trabalhadores de solo) cruzem os braços a partir das 6h, em todo o Brasil.
Os trabalhadores iniciaram pedindo 15% de reajuste, mas reduziram para 13% em reunião com o Ministério Público do Trabalho, ontem. “Os empresários não estão querendo negociar”, reclamou Klafke. O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) oferece a reposição da inflação medida pelo INPC: 6,08%.
Contatada nesta tarde pela Rádio Guaíba, a direção do Snea preferiu não se manifestar. Em nota postada no site da entidade, a entidade sustenta que concedeu índice de 6% de ganho real (reposição acima da inflação) nos últimos cinco anos e não tem condições de oferecer um índice maior neste ano. Veja abaixo a nota, na íntegra.
Com dois servidores, Procon-RS admite dificuldades para fiscalizar
A coordenadora do Procon estadual admitiu dificuldades para fiscalizar o caos aéreo projetado para a antevéspera de Natal. Adriana Burger disse que há dois servidores do órgão disponíveis para receber reclamações. Em função da falta de pessoal, nenhum deles deve acompanhar de perto a situação, no aeroporto Salgado Filho. Ela explicou que os consumidores devem buscar a reparação dos danos com as empresas, independentemente de quem for a culpa para os possíveis transtornos. A pessoa prejudicada também pode buscar, na justiça, e não no órgão de defesa do consumidor, a reparação de um dano moral ou patrimonial. O Procon-RS atende pelos telefones (51) 3212-3367 e (51) 3212-6631.
“Atrasos já estão acontecendo, independentemente de nós”, diz presidente de sindicato
Aeroviários suspeitam que companhias tenham conduzido a greve para mascarar problemas