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Aumento do nível de rios derruba pontes no Vale dos Sinos

Enxurrada começou em Santa Maria do Herval e afetou os rios Cadeia e Feitoria, em Sapiranga

Aumento do nível de rios derruba pontes no Vale dos Sinos
Aumento do nível de rios derruba pontes no Vale dos Sinos Foto : Pedro Revillion
A enxurrada que atingiu Santa Maria do Herval, na Serra, teve reflexos no Vale dos Sinos. As águas do Rio Cadeia avançaram com rapidez, levando de arrasto encostas, pontes e árvores. O volume excessivo provocou a cheia do Rio Feitoria. Por volta das 18h, uma “onda” com aproximadamente 7 metros de altura devastou os balneários da localidade de Picada Verão, em Sapiranga, provocando pânico nos banhistas e campistas.

“Não houve chuva. Apenas um ruído intenso e assustador. Parecia um tsunami”, comparou o sócio-proprietário do Camping do Waldomiro, Márcio Luis Stumm, de 33 anos.

Pouco antes do fenômeno, suas duas filhas – Vivian, de 5, e Karen, de 9 – decidiram sair das águas do Feitoria, onde passaram boa parte do dia. A fúria da água levou de arrasto 12 barracas, além da área onde estavam instaladas 70 churrasqueiras, mesas e bancos. “Foi um horror”, descreveu.

O fundador do camping, aposentado Waldomiro Berlinzoni Fleck, de 77, lembra ter enfrentado situações semelhantes e de igual intensidade nos anos de 1951 e 1964, quando ainda utilizava a área às margens do rio para o plantio de hortifrutigranjeiros. Nas duas oportunidades, perdeu toda a produção.

Já na Reserva Ecológica Família Lima, pelo menos nove pessoas ficaram ilhadas e um casal desapareceu. Nesta tarde, bombeiros localizaram o corpo do acadêmico de Direito da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Breitner Bortoluzzi Bender, de 21, a cerca de dois quilômetros do local onde foi visto com vida pela última vez.  As buscas ao corpo da estudante de Publicidade e Propaganda da UCS, Cristiana Reis, de 20, serão retomadas nesta terça-feira. Ambos residiam em Caxias do Sul e estavam acompanhado de outros sete jovens que foram resgatados com vida, ainda no domingo. As instalações de propriedade da Família Lima ficaram bastante danificadas. Um trailer e uma ponte foram levados pela enxurrada.

Nos arredores, o proprietário do Camping Paraíso Verde, Edgar Feld, de 71, também contabilizava os prejuízos materiais. A água do rio, que atingiu 7 metros de altura, encobrindo um pontilhão suspenso por cabos de aço, destruiu cinco quiosques e levou parte de uma encosta de pedras. “Se essa onde louca tivesse atingido o camping por volta das 16h, mais de cem banhistas teriam sido arrastados”, relatou Feld.

A atendente do restaurante existente no local, Helena Ivete Wasen, de 54, recorda ter escutado um estrondo. “Achei que um avião tinha caído na mata”, comparou. O marido de Helena, comerciante Darci Wasen, de 55, limitava-se a repetir: “Foi horrível, foi horrível”. Feld, por sua vez, afirmou que, em 1951, a fúria da água era tamanha que fez “o chão tremer”.

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