Agosto vai chegando ao fim, mas o frio do inverno gaúcho ainda não demonstra estar terminando. E as baixas temperaturas não aliviam a já sobrecarregada emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Porto Alegre, os pacientes excedem o número de leitos disponíveis nos hospitais. O setor, que deveria ser apenas local de estabilização e encaminhamento, muitas vezes acaba fazendo todo o processo de tratamento e recuperação.
Estes casos chegam a aproximadamente 30% dos atendimentos na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, informa o chefe do serviço de emergência da entidade, Leonardo Fernandez. Ainda segundo ele, as emergências hoje estão com uma demanda restrita, apenas para casos de extrema urgência, em que o paciente se encontra em estado gravíssimo. No início da manhã desta segunda-feira, todos os 24 leitos estavam ocupados e, no fim do dia, mais pacientes chegavam e excederam a capacidade.
No Hospital São Lucas da PUCRS, a situação não está tão grave quando os meses de junho e julho, avalia o chefe da emergência Saulo Bornhorst. Mesmo assim, ele comenta que o setor está sempre cheio, principalmente neste ano, quando o frio começou já no final do mês de abril, ao contrário do ano passado, em que as temperaturas não foram tão baixas.
Segundo Bornhorst, o Hospital São Lucas possui 13 leitos voltados para pacientes de média complexidade, dois para urgências e cinco para quem apresenta sintomas de acidentes vasculares. Mesmo assim, estes números representam apenas a teoria. Os 13 leitos muitas vezes acabam tendo que acomodar de 30 a 40 pacientes, por exemplo.
O inverno, para o chefe da emergência da Santa Casa, não representa o maior problema para a superlotação dos hospitais. Segundo Fernandez, a sazonalidade apresenta maior risco apenas para casos de pediatria. Além disso, diz que os tratamentos para doenças respiratórias evoluíram muito, de modo que o principal culpado do excesso de pacientes é o financiamento do SUS. De acordo com ele, trata-se de um “sistema completamente desorganizado” e com baixo investimento.
No São Lucas, a reclamação é a mesma. Conforme o chefe da emergência, nos últimos dois anos as reduções dos repasses, principalmente do Estado, não chegaram a representar fechamento de leitos no local. No entanto, isso ocorreu em outras cidades, o que, consequentemente, aumentou a procura pelas instituições hospitalares da capital de 30% para 45%.
Baixa temperatura aumenta procura por hospitais
Pacientes excedem número de leitos disponíveis no SUS