Geral

Baixa temperatura aumenta procura por hospitais

Pacientes excedem número de leitos disponíveis no SUS

Pacientes excedem número de leitos disponíveis no SUS
Pacientes excedem número de leitos disponíveis no SUS Foto : Guilherme Testa
Agosto vai chegando ao fim, mas o frio do inverno gaúcho ainda não demonstra estar terminando. E as baixas temperaturas não aliviam a já sobrecarregada emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Porto Alegre, os pacientes excedem o número de leitos disponíveis nos hospitais. O setor, que deveria ser apenas local de estabilização e encaminhamento, muitas vezes acaba fazendo todo o processo de tratamento e recuperação.

Estes casos chegam a aproximadamente 30% dos atendimentos na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, informa o chefe do serviço de emergência da entidade, Leonardo Fernandez. Ainda segundo ele, as emergências hoje estão com uma demanda restrita, apenas para casos de extrema urgência, em que o paciente se encontra em estado gravíssimo. No início da manhã desta segunda-feira, todos os 24 leitos estavam ocupados e, no fim do dia, mais pacientes chegavam e excederam a capacidade.

No Hospital São Lucas da PUCRS, a situação não está tão grave quando os meses de junho e julho, avalia o chefe da emergência Saulo Bornhorst. Mesmo assim, ele comenta que o setor está sempre cheio, principalmente neste ano, quando o frio começou já no final do mês de abril, ao contrário do ano passado, em que as temperaturas não foram tão baixas.

Segundo Bornhorst, o Hospital São Lucas possui 13 leitos voltados para pacientes de média complexidade, dois para urgências e cinco para quem apresenta sintomas de acidentes vasculares. Mesmo assim, estes números representam apenas a teoria. Os 13 leitos muitas vezes acabam tendo que acomodar de 30 a 40 pacientes, por exemplo.

O inverno, para o chefe da emergência da Santa Casa, não representa o maior problema para a superlotação dos hospitais. Segundo Fernandez, a sazonalidade apresenta maior risco apenas para casos de pediatria. Além disso, diz que os tratamentos para doenças respiratórias evoluíram muito, de modo que o principal culpado do excesso de pacientes é o financiamento do SUS. De acordo com ele, trata-se de um “sistema completamente desorganizado” e com baixo investimento.

No São Lucas, a reclamação é a mesma. Conforme o chefe da emergência, nos últimos dois anos as reduções dos repasses, principalmente do Estado, não chegaram a representar fechamento de leitos no local. No entanto, isso ocorreu em outras cidades, o que, consequentemente, aumentou a procura pelas instituições hospitalares da capital de 30% para 45%.