Na avaliação do dirigente sindical, a grande adesão à paralisação reflete o descontentamento da categoria com as instituições financeiras. “Apesar de apresentarem crescimento médio de 32% no lucro líquido do primeiro semestre em relação a igual período de 2009, os bancos só ofereceram o índice de inflação de 4,29% e não sinalizam com a concessão de aumento real”, disse. Os bancários, com data-base em 1º de setembro, reivindicam reajuste salarial de 11%, maior participação nos lucros e resultados, medidas de combate ao assédio moral, qualificação dos mecanismos de segurança, garantia de emprego e mais contratações, entre outras exigências.
A pauta envolvendo os bancos privados inclui a recomposição de perdas acumuladas de anos anteriores. “Só avaliaremos a possibilidade de suspensão da greve se houver uma proposta que se aproxime do nosso pleito”, salientou Bacelo. Por meio de nota oficial, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) manifestou a “firme intenção de adotar todas as medidas legais cabíveis e necessárias para garantir o acesso e o atendimento da população nas agências e postos bancários”. A entidade lamenta que a greve tenha sido deflagrada em um período em que os bancos registram maior movimento devido ao pagamento dos 27 milhões de aposentados e pensionistas do INSS que recebem o benéfico pela rede bancária.
“A Fenaban e os bancos respeitam o direito de greve. O que não se pode admitir são os piquetes contratados que barram o acesso da população às agências e postos bancários para impor uma greve abusiva e injustificada”, diz a nota. A greve já prejudica os clientes. A comerciante Paula Souza perdeu o prazo de pagamento de um boleto bancário e ontem, ao tentar fazer a quitação, encontrou a agência bancária fechada. “Como não consigo pagar no banco que emitiu a fatura, terei que negociar diretamente com o fornecedor”, disse.