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Bebês lutam pela vida na Santa Casa de Bagé

Gêmeos prematuros foram transferidos para UTI Neonatal

Bebês nasceram na segunda-feira em Canguçu
Bebês nasceram na segunda-feira em Canguçu Foto : Paulo Rossi / Doário Popular / CP
Novo episódio envolvendo gestação de alto risco reforça a necessidade de reabrir com urgência a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC). Gêmeos prematuros nascidos na instituição, na noite de segunda-feira, foram transferidos por volta das 22h de terça para a UTI Neonatal da Santa Casa de Caridade de Bagé. A mãe, a piratiniense Andrizi Quevedo, de 25 anos, recupera-se no hospital de Canguçu, onde deu entrada há dez dias com uma infecção, grávida de 26 semanas. Segundo a médica-chefe da UTI Neonatal da Santa Casa de Bagé, Cledinara Salazar, a gravidade do quadro dos bebês se deve à prematuridade. "Um deles pesa 600 gramas e o outro, 630."

O prefeito de Canguçu, Cássio Mota, que acompanhou o caso, conta que, enquanto era aguardada a obtenção dos leitos em Bagé, pela Central de Regulação do Estado, o parto aconteceu, por volta das 22h30min de segunda. "Chegou a ser cogitada a transferência para Erechim, mas teria que ser feita por helicóptero, do que não dispomos", diz. Segundo ele, após o nascimento, os bebês precisavam ser transportados por uma UTI Móvel, que se deslocou de Livramento a Canguçu, em uma viagem de 400 km, e os levou até Bagé, um trajeto de mais 175 km. Durante a espera, que durou em torno de 20 horas, uma estrutura improvisada pelo Hospital de Canguçu, com aparelhos da UTI Neonatal interditada, manteve os bebês.

Conforme a coordenadora regional adjunta da 3 CRS, Vera Silva, o encaminhamento da gestante a outro hospital com suporte deveria ter sido feito imediatamente. "Nós ficamos monitorando a situação o tempo todo, através do contato de um médico da regulação com um do hospital", diz. Segundo ela, deverá ocorrer uma reunião, nos próximos dias, em Canguçu, entre representantes da Secretaria Estadual da Saúde (SES), do HCC e do município. "Queremos que o hospital nos apresente os médicos, não basta mais apenas o papel, queremos ver e conversar com a equipe antes que seja tomada a decisão pela reabertura ou não da UTI Neonatal", diz.

A UTI Neonatal do HCC, com dez leitos, foi fechada em 24 de fevereiro, 103 dias após entrar em funcionamento, por determinação do governo estadual. A Vigilância Sanitária tomou a medida devido a foco de infecção que teria provocado mortes de bebês e à equipe reduzida. A SES exigiu a contratação de mais profissionais e a readequação de serviços de suporte à UTI.

O prefeito de Canguçu, que também preside o Conselho Regional de Desenvolvimento da Zona Sul, reclama que não é dada atenção especial à rede de urgência e emergência da região. "Recentemente, fizemos um diagnóstico da área da saúde da Zona Sul, que aponta o quanto estamos deficitários." Segundo ele, há apenas uma UTI Avançada em Pelotas, falta UTI Móvel vinculada ao Samu para atender os 22 municípios e a Rede Cegonha do Hospital São Francisco, em Pelotas, não suporta a demanda regional. A reportagem do CP tentou contato, ontem, com a direção e a chefia da Pediatria do HCC, mas não obteve retorno.

Com informações dos repórteres Luciara Schneid e Jossicar Saraiva


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