Após reunião com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Porto Alegre, a direção do Hospital de Beneficência Portuguesa (HBP) decidiu manter o atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) da traumato-ortopedia. A casa de saúde havia manifestado intenção de suspender consultas, procedimentos e cirurgias de média complexidade a partir da próxima semana devido a um impasse financeiro junto à prefeitura. Dessa forma, cerca de 1,3 mil consultas e 160 cirurgias deixariam de ser realizadas mensalmente na instituição. Uma nova reunião entre o hospital e o município está marcada para a próxima quarta-feira.
O impasse estaria ocorrendo desde maio de 2009. Conforme o presidente do HBP, Eraldo Martins, os valores repassados pela prefeitura, oriundos do Ministério da Saúde via SUS, são insuficientes para manter o atendimento. "Dessa forma, a realização dos procedimentos vai se tornando impossível", frisou. Martins destacou que o encontro foi positivo e que os problemas deverão ser sanados através da solução do que ele classificou como "detalhes técnicos", mas sem revelar valores.
Em nota, o secretário municipal de Saúde em exercício, Luiz Carlos Seligmann, disse que a prefeitura vai manter esforços para manter o atendimento. "Também queremos ampliar o serviço traumatológico pelo SUS no hospital, até porque existem equipamentos da secretaria em uso na casa de saúde", apontou. Na reunião, Seligmann e o corpo técnico da SMS salientaram que a prefeitura não mantém débito com o HBP.
Para Martins, o HBP pretende não só manter o atendimento no município como contribuir com o Estado. Segundo o presidente, hoje o Rio Grande do Sul conta com um gargalo de 50 mil pacientes esperando por cirurgias de traumato-ortopedia. Na casa de saúde, 60% dos leitos são disponibilizados aos usuários do SUS. Apesar dos problemas na traumato-ortopedia, o HBP é referência no País na área da neurologia. No setor, são 20 pacientes internados em média, com 700 cirurgias anuais.
Beneficência Portuguesa decide manter atendimento pelo SUS
Casa de saúde havia manifestado intenção de suspender serviços em função de impasse com a prefeitura