Conforme o diretor estadual de políticas públicas sobre drogas da Secretaria Estadual de Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH), Solimar Amaro, 60% do valor arrecadado será repassado ao Fundo Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas, para ser aplicado em ações de tratamento e prevenção do uso de drogas. O restante dos recursos será repartido entre Ministério Público (10%), Poder Judiciário (10%) e Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (20%), que coordenou o leilão. “Através deste valor poderemos trabalhar na prevenção e reabilitação dos usuários”, comemorou.
O repasse das verbas ao fundo poderá ser feito graças à assinatura, em 2011, de um termo de cooperação com o governo federal, Tribunal de Justiça e MP para que os bens apreendidos se transformem em arma contra o tráfico. O termo está previsto no Sistema Estadual de Políticas Públicas da SJDH, que determina o uso de materiais e recursos apreendidos pelas polícias ou entidades que trabalham com o tema, além da destinação de parte dos recursos dos leilões.
O titular da SJDH, Fabiano Pereira, ressaltou que é o contraveneno usar o dinheiro do tráfico contra o próprio. “Para nós tem um símbolo ainda maior, que é a descapitalização e combate ao crime organizado”, disse, ao lembrar que os leilões trazem economia para o Estado, que paga diárias para deixar os carros em depósitos.
O coordenador geral de Contencioso e Gestão do Fundo Nacional Antidrogas, Amilcar Barbosa Cintra, destacou a importância do leilão. “É uma luta realizar essas vendas. Há muitos entraves burocráticos, mas saber que o valor será usado para reprimir o tráfico e auxiliar quem é dependente dele mostra que a tarefa vale a pena”, explicou.
Principal atrativo do leilão, os carros foram fabricados entre 1974 a 2008 e possuíam preço variado. No entanto, o primeiro lote vendido foi uma casa, localizada no bairro Petrópolis, em Passo Fundo. Avaliada em R$ 90 mil, foi adquirida por R$ 215 mil por um morador da cidade do Norte gaúcho, que esteve em Porto Alegre especialmente para comprar o imóvel. “Vou reformar, alugar, morar, talvez”, disse, sem se identificar.