O plástico, grande vilão de uma época por apresentar longo processo de decomposição, caminha hoje de mãos dadas com a educação sustentável no Rio Grande do Sul. A transformação de resíduos plásticos, que podem demorar até 400 anos para se decompor no meio ambiente, começou há um ano a partir de uma iniciativa da Braskem e da Suzuki Recicladora. As duas empresas são responsáveis por construir e implantar bicicletários sustentáveis em centros de cultura e locais de lazer de municípios gaúchos. Os objetos são construídos a partir de um processo de transformação do plástico em tábuas, que imitam madeira, sem nenhuma árvore ser derrubada.
A construção dos bicicletários objetiva mostrar a viabilidade da reciclagem do plástico, além de incentivar o uso de bicicletas. “Unimos as duas metas para criarmos um produto que carrega a ideia de promover uma sociedade mais sustentável, que polui menos e recicla mais”, explica o analista de Relações Institucionais da Braskem, Daniel Fleischer.
Para a fabricação dos bicicletários, o processo de transformação do plástico se inicia logo após o recolhimento dos resíduos, que podem ser sacolas plásticas, copos ou garrafas PET vindas de empresas, prefeituras ou outras instituições. Pelo menos 12 toneladas por mês são recebidas pela Suzuki, instalada em Dois Irmãos.
O material utilizado não possui valor comercial e todos os produtos construídos são doados. “Trabalhamos nessa ideia pela educação e não pelo dinheiro. Não temos lucro com o que produzimos e utilizamos só resíduos sem valor comercial, como o plástico sujo”, afirma o gerente da Suzuki, Beno Rhoden.
Os resíduos passam por uma máquina aglutinadora, que deixa o plástico granulado. Em seguida, os materiais recebem adição de 0,04% de pigmentação, para que os futuros bicicletários contemplem cores como azul, amarelo, vermelho e marrom. Depois disso, o material é derretido a 230°C, o que garante forma quase líquida para a massa que, em contato com água resfriada, sofre um choque térmico e incha, preenchendo o molde que dá o formato de tábua.
Então as peças são encaixadas e ganham pinos de plástico, também construídos na fábrica. O bicicletário é criado com material 100% reciclado. Por fim, o produto ganha forma de arco, com a força dos braços dos trabalhadores, que somam 15 pessoas. “Cada vez mais nos procuram para se desfazer do seu lixo e nós damos vida nova a ele”, comemora Rhoden.
Escolas estão engajadas no projeto
Na tentativa de disseminar a ideia, até para aqueles que ainda nem mesmo aprenderam a andar de bicicleta, a transformação dos resíduos plásticos em prol da sustentabilidade chegou também às escolas. A partir do programa Coleta e Transformação de Sacolas Plásticas, as instituições estão sendo engajadas em uma campanha de incentivo para o consumo consciente, separação, ciclo reverso e reciclagem de resíduos.
Cada escola separa os resíduos plásticos e repassa para a Suzuki Recicladora ou a outras empresas parceiras e unidades de triagem. A Suzuki, por sua vez, devolve o equivalente doado em mobília ecológica. “Construímos bancos e mesas e doamos para as escolas para retribuir o seu trabalho de contribuição com o meio ambiente”, salienta o gerente Beno Rhoden. Mais de cem instituições de ensino gaúchas participam do programa.
A cada objeto produzido, seja bicicletário ou seja móvel, um número considerável de resíduos plásticos deixa de representar ameaça ao meio ambiente e ganha um novo destino. Os bicicletários dão suporte aos que utilizam a bicicleta como meio de transporte pelas vias públicas. Já os bancos e as mesas ecológicas se somam à estrutura de aprendizado de cada escola.
Da mesma forma, o hábito da reciclagem é acompanhado desde cedo pelas crianças. Na produção de cada banco, por exemplo, 12.380 sacolas plásticas deixam de ir para o meio ambiente. A contagem também é feita pelo presente gentilmente dado a esta reportagem, um porta-canetas, que retirou do meio ambiente 67 sacolas plásticas.
Bicicletários gaúchos dão vida nova ao plástico
Decomposição de resíduos pode levar 400 anos no meio ambiente