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Biometria não resolverá problemas nas unidades de saúde, afirmam entidades médicas

Cremers e Simers criticaram as declarações do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que afirmou que os médicos vão parar de “fingir” que trabalham<br />

Cremers e Simers criticaram as declarações do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que afirmou que os médicos vão parar de “fingir” que trabalham
Cremers e Simers criticaram as declarações do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que afirmou que os médicos vão parar de “fingir” que trabalham Foto : Samuel Maciel / CP Memória
Um dia depois do Ministério da Saúde anunciar que implantará o ponto biométrico para o registro da jornada de trabalho dos profissionais de saúde nas unidades básicas brasileiras, entidades médicas gaúchas afirmaram que o investimento não resolverá os problemas da saúde. Para o Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers) e o Sindicato Médico gaúcho (Simers), a medida apenas mostrará que o problema da atenção básica é a falta de recursos e profissionais.

Ambas as entidades afirmaram que não são contra o controle da jornada dos médicos, mas criticaram as declarações do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que disse que os médicos vão parar de “fingir” que trabalham. O Presidente do Cremers, Fernando Weber Matos relata que a biometria já é implantada em alguns municípios brasileiros, onde os problemas na saúde continuam. “Essa ideia de que as pessoas não são bem atendidas porque o médico não cumpre a carga horária vai ser desmentida. Ele vai bater o ponto e ainda vão ter 30 pessoas esperando. É preciso duplicar ou triplicar a contratação de profissionais”, argumentou.

Na mesma linha, o presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, citou o exemplo de Porto Alegre, onde a biometria funciona há mais de cinco anos. “O problema não é que os médicos não cumprem a carga horária, o governo diz isso para desviar a atenção do que não faz. Em Porto Alegre, os médicos batem o ponto e ainda há pessoas esperando em macas no corredor. Faltam leitos, medicamentos e até luvas”, criticou. Questionado sobre como o ponto poderia auxiliar nos casos em que os médicos realmente não cumprem a carga horária, Mendes admite que essas situações existem, assim como em outras profissões, mas que as afirmações do ministro difundem a ideia de que “o problema da saúde são os médicos que não trabalham, e não o governo”.

Questionada sobre quando a biometria será implantada em todo o Estado, a Secretaria da Saúde gaúcha informou que a medida será de responsabilidade dos municípios, que controlam a atenção básica. Atualmente, a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) não possui um levantamento de quantas cidades já adotaram o sistema biométrico.

Biometria deverá ser implantada até 2018


Na quinta-feira, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que a ideia é criar um controle de produtividade em que os profissionais cumpram a jornada de trabalho, na qual determinadas atividades terão de ser cumpridas, como as consultas _ que devem demorar no mínimo 15 minutos, conforme a Organização Mundial da Saúde. "Um médico que tem quatro horas de concurso pode dedicar cinco minutos para cada paciente e ir embora. Temos de ter uma média de desempenho", afirmou o ministro.

A mesma lógica será aplicada para outras especialidades. Quem não cumprir o prazo determinado, conforme o governo, estará sujeito a um processo administrativo. O governo prometeu informatizar todas as unidades básicas de saúde até o fim de 2018. Para isso, a pasta deverá repassar um recurso mensal suficiente para financiar 50% dos custos com o serviço.

“Vamos parar de fingir que a gente paga médicos e o médico fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde do Brasil", declarou Barros. Ainda conforme o ministro, em locais onde a estrutura já foi montada, cerca de metade dos médicos pede demissão. "Eles têm vários trabalhos, não conseguem cumprir a jornada e acabam abandonando o serviço quando há maior controle", disse.