“Estamos atentos e não entendemos o motivo da antecipação”, afirmou Mateus Gomes, da coordenação do Bloco de Luta pelo Transporte Público, lembrando que, a partir do resultado, a prefeitura poderá iniciar a análise sobre a nova tarifa do transporte coletivo. Já o TRT4 passa a ser alvo por estar tentando mediar um acordo entre rodoviários grevistas e os empresários do setor de transporte coletivo.
O objetivo, segundo ele, não é prejudicar ainda mais os porto-alegrenses que estão há 11 dias sem ônibus. Lembrou que as demandas seguem as mesmas do último ano, com foco na redução do valor da tarifa e do transporte gratuito para desempregados, estudantes, quilombolas e indígenas. Gomes destaca a urgência da abertura de licitações para o transporte público da Capital. “Desejamos que todas as linhas sejam operadas pela Prefeitura, retirando o lucro dos empresários e possibilitando a redução da tarifa”, salientou.
Segundo ele, a abertura de licitações estava prometida pelo prefeito José Fortunati para o fim de 2013, mas foi adiada para 2014. “A crise no transporte exige do prefeito medidas drásticas. Ele precisa romper com a lógica do lucro e, desta forma, beneficiar a população”, destacou. No chamamento realizado por meio das redes sociais, o Bloco de Luta pelo Transporte Público voltará às ruas para também exigir reajuste salarial, redução da jornada e melhores condições de trabalho sem reajuste da passagem para os rodoviários. Para Gomes, somente com “a luta conjunta” será possível transformar o modelo de transporte.
Gomes ainda lamentou que o governo do Estado não esteja apoiando a prefeitura no sentido de atenuar os efeitos da greve sobre a população. “O governador Tarso Genro, do PT, está preocupado com o jogo eleitoral. A lógica é desgastar o prefeito José Fortunati, que é do PDT”, avaliou. Segundo ele, é inadmissível que os coletivos que atendem as linhas metropolitanas não tenham sido autorizados a transportar os porto-alegrenses neste período de greve.