Segundo Bernardo Tomazelli, presidente da Associação Gramadense de Estudantes Universitários (AGEU), as associações de alunos do Cimol e da Faccat, em Taquara, Feevale, em Novo Hamburgo, Unisinos, em São Leopoldo, e Ulbra, em Canoas, anteciparam os horários das linhas. Os estudantes do Vale dos Sinos e Região Metropolitana estão utilizando a Rota Romântica via Nova Petrópolis. Conforme ele, o tempo de deslocamento até a Unisinos aumentou em aproximadamente 30 minutos. “O trajeto pela ERS 235 é maior, além de a estrada ser mais sinuosa e perigosa”, afirma Tomazelli.
Conforme ele, a nova rota provocou transtornos aos estudantes nos primeiros dias. “Fizemos as alterações para evitar os atrasos, mas as mudanças começam a valer a partir desta quarta-feira. Não tivemos tempo para avisar todos. Vamos sair meia hora mais cedo e chegar meia hora mais tarde em casa. Para quem trabalha, fica ainda mais complicado conciliar os estudos”, lamenta.
Tomazelli observa que os acadêmicos enfrentam outro problema. “No turno da manhã, Unisinos e Feevale utilizam o mesmo ônibus. Quando chegamos na BR 116, temos que voltar para Novo Hamburgo para deixar o pessoal da Feevale e, depois, retornar para São Leopoldo. Perdemos vinte minutos”, conta. De acordo com o presidente da AGEU, o ônibus da manhã vai começar a sair às 6h. “Com a mudança, acredito que vamos pegar menos trânsito”, diz.
Já os gramadenses e canelenses que estudam em Taquara, estão fazendo o deslocamento pelo interior. Os ônibus trafegam pela estrada geral de Serra Grande. São 18 quilômetros de estrada de chão batido e mais dez de asfalto entre Igrejinha e Gramado. “Apesar de a estrada estar em boas condições, a qualidade dos ônibus baixou. Estamos usando veículos mais comuns para trafegar pelo estrada de terra. Sem ar-condicionado, sofremos com a poeira”, afirma Tatiana Altreiter, presidente da Gramado Estudantes Associados (GEA).
Turismo lamenta prejuízos
Com a economia baseada no turismo, Gramado e Canela lamentam a demora prevista para a execução das obras de recuperação da rodovia. O trade turístico busca alternativas para evitar perdas econômicas ainda maiores. Em Três Coroas e Igrejinha, o comércio da ERS 115 registrou 60% de queda no volume de vendas.
Segundo a secretária de Turismo de Gramado, Rosa Helena Volk, as autoridades da região planejam uma ação conjunta para tentar agilizar o serviço ou viabilizar a implantação de um desvio na própria rodovia. “Nossa cidade e toda a região dependem do turismo. Estamos preocupados com a queda na movimentação. Temos muitos eventos programados até novembro”, diz.
Para o empresário Marcos Gomes, do Gramadozoo, que fica nas margens da rodovia, a queda no faturamento do parque durante o final de semana foi superior a 80%. “O bloqueio da principal rota de acesso a Gramado e Canela já está trazendo prejuízos. Com todas as tecnologias, é inadmissível que a rodovia fique trancada por tanto tempo. O prejuízo total não pode ser mensurado”, lamenta.
Para Tiago Dias, que trabalha em um artesanato no quilômetro 32 da rodovia, o prejuízo acumulado será de R$ 100 mil até novembro. “O movimento do Festival de Cinema seria excelente, mas interromperam a estrada. Faz tempo que a rodovia apresenta problemas. Deixaram para fazer apenas agora”, frisa. O jovem conta que perdeu duas toneladas de pinhão por conta do bloqueio. “Tive que jogar no lixo. Deixei de faturar R$ 10 mil somente no final de semana. Estou ligando para os fornecedores para segurarem meus cheques. Não sei o que fazer até a rodovia ser liberada”, afirma.
Rotas alternativas para chegar à Serra
O trajeto entre a Região Metropolitana e Gramado pode ser feito pela ERS 235, via Nova Petrópolis, ou ainda via Santa Maria do Herval. O trecho apresenta 20 quilômetros de estrada de chão batido, mas a distância entre Gramado e Porto Alegre diminui de 121 quilômetros para 100 Km. Outra alternativa é pela ERS 020, via São Francisco de Paula. Porém, a viagem fica mais longa. O caminho entre Gramado e o Vale do Paranhana também pode ser percorrido por estradas vicinais do interior.