BM contabiliza 28 salvamentos de crianças engasgadas desde início do ano no RS

BM contabiliza 28 salvamentos de crianças engasgadas desde início do ano no RS

Com as crianças passando mais tempo em casa, os acidentes domésticos se tornam comuns

Felipe Samuel

No início do mês, a 18º BPM atendeu o pedido de socorro de Ketlin Luz do Santos

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A Brigada Militar (BM) salvou desde início do ano 28 crianças engasgadas com leite materno, medicamentos ou brinquedos no Rio Grande do Sul. Os números do levantamento divulgado pela instituição revelam a importância do atendimento rápido de ocorrências envolvendo acidentes domésticos com recém-nascidos. Muitas vezes, as orientações repassadas por um policial militar que atende o chamado pelo telefone 190 pode garantir a vida de uma criança. 

Com oito anos de Brigada Militar, o soldado Thiago Rodrigues Vasconcellos, que serve no 18º BPM de Viamão, contabiliza ao longo da carreira pelo menos 10 salvamentos a crianças, seja passando orientações por telefone ou auxiliando vítimas no local da ocorrência. Somente no mês de agosto, o batalhão atendeu três casos envolvendo crianças engasgadas com leite materno.

"As pessoas quando entram em contato por telefone muitas vezes estão desesperadas, por isso é importante passar a instrução correta", observa, acrescentando que em algumas situações um PM passa orientações para família enquanto uma viatura se desloca até a residência. 

Orientações 

No início do mês, Vasconcellos atendeu a uma ligação na sala de operações do 18º BPM com pedido de socorro de Ketlin Luz do Santos. Na ligação, ela relatou que a filha Ester, de apenas 28 dias de vida, havia engasgado com leite. Na ocasião, o policial passou orientação para desobstruir as vias aéreas da menina, numa técnica conhecida como Manobra de Heimlich, enquanto uma viatura se deslocava até o local.

Com a bebê desacordada, os policiais procuraram uma Unidade de Pronto Atendimento, mas no meio do caminho, após tentativas para desobstruir as vias respiratórias, a criança voltou a respirar. "É um sentimento diferente, único, uma sensação de serviço cumprido", afirma.

Ketlin, que é dona de casa e reside no bairro Santa Cecília, em Viamão, explica que pediu ajuda aos vizinhos antes de tentar contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "Liguei pro Samu e não consegui atendimento. Depois liguei para BM, desesperada, que veio ligeiro. Se não fosse a BM ela tinha morrido", afirma. Ketlin relata que a filha passou mal após sair do banho. "Ela tinha mamado e arrotado. Eu coloquei ela de bruços para mim, mas ela começou a ficar vermelha e se afogou", destaca. Desesperada, ela chamou pediu socorro aos vizinhos. "Ela estava tentando respirar. Fui nos vizinhos, mas ninguém conseguiu ajudar", destaca.

Acidentes domésticos

De acordo com o chefe do setor de Otorrinolaringologia do Hospital de Pronto Socorro (HPS), Marcelo Wierzynski, por conta do isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus, as crianças ficam mais tempo em casa. Com isso, Wierzynski garante que são mais comuns acidentes domésticos. "A maioria dos casos envolve crianças engasgadas com objeto que vai para o esôfago e tranca", destaca.

Wierzynski explica que muitas vezes a criança pode aspirar um objeto sem que os pais percebam. "Notamos aumento do número de crianças atendidas que colocaram objetos na boca, no nariz ou no ouvido. Muitas vezes, nesses casos, a BM é a primeira a ser acionada para ajudar os pais", afirma.

Apesar da ajuda dos policiais militares, quando a criança tem falta de ar ou desenvolve quadro de pneumonia é necessário buscar atendimento no hospital para realizar exames e, em algumas situações, fazer a remoção do objeto. "No caso de aspiração de caroço de bergamota que foi pro lugar errado, por exemplo. Às vezes a criança chega com falta de ar ou pneumonia. Não adianta fazer manobras intempestivas de compressão do tórax porque já passou das cordas vocais e caiu no fundo do pulmão", garante. 

De acordo com Wierzynski, pais de crianças de até 6 anos de idade devem tomar cuidados específicos para evitar acidentes. "Se o brinquedo cabe dentro do rolo de papel higiênico, é muito pequeno para criança de até seis anos brincar. Essa orientação que dou às mães", observa.


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