O comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar de Cachoeirinha, major Luciano Moritz, confirmou que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) ainda na quinta-feira em razão dos episódios ocorridos em frente à Câmara de Vereadores, antes da votação do projeto que aprovou o escalonamento para o recebimento do vale-alimentação aos servidores municipais - em greve desde o dia 6 de março.
“O IPM vai apurar se houve excessos e apontar os responsáveis.” Segundo ele, o procedimento tem um prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20. “Em razão do clamor, devemos concluí-lo o mais breve possível. Todos os envolvidos deverão ser chamados para depor, deverão ser juntados laudos do DML e registros feitos na Polícia Civil.” Moritz não quis revelar quantos policiais efetivamente participaram da ação, mas garantiu que foram mais de 100.
Questionado sobre o episódio em que PMs borrifam spray de pimenta no rosto dos grevistas que se mantiveram sentados na área entre os gradis e a linha de contenção da Brigada Militar, Moritz explica que “foi necessário o uso de elemento químico, e não da força corporal, para que em ato contínuo, os manifestantes deixassem o local. No entanto, neste momento, foi que aconteceu a derrubada dos gradis e a invasão pelos demais grevistas, dando-se início ao confronto.” Segundo ele, Cachoeirinha vive um cenário de terror. “Um clima intimidatório.”
Nesta sexta-feira, os grevistas voltaram a caminhar pela Avenida principal da cidade protestando contra a aprovação do projeto de lei e em repúdio à ação truculenta da Polícia Militar junto aos trabalhadores que vem lutando pelos seus direitos.
BM de Cachoeirinha instaura inquérito para apurar ação contra servidores
Confronto terminou com municipários feridos