Segundo Michels, pode ter ocorrido compartilhamento de responsabilidades e os indícios mais claros de irregularidades são de superlotação na Kiss e do acionamento do sputnik (artefato pirotécnico), dentro da danceteria. “Em qualquer cidade do mundo, quem é o responsável para conceder o alvará de funcionamento?”, questionou o secretário.
Ranolfo Vieira Júnior ressaltou que as investigações estão entrando em seu oitavo dia com boa evolução. A Polícia Civil recebeu a informação da Secretaria Estadual da Saúde, de que 575 pessoas foram atendidas depois do incêndio na Kiss. Estas pessoas serão identificadas e também serão ouvidas, além de passarem por uma perícia. “Esta e uma informação relevante para nós, pois somando ao número de mortos, temos no mínimo entre 750/800 pessoas que estavam dentro da boate”, assinalou o delegado. “Ainda vamos fazer uma triagem para averiguar quem foi atendido duas vezes ou teve morte no hospital.”
Revestimento acústico foi comprado em loja de colchões
O revestimento acústico instalado no teto da boate Kiss foi comprado em uma loja de colchões do município. A espuma de poliuretano é inflamável, mas amplamente utilizada para a confecção de "colchonetes piramidais" em hospitais, e no revestimento de paredes de consultórios dentários, estúdios de gravação e igrejas para reduzir a propagação de ruídos.
O dono da loja onde os responsáveis pela boate fizeram três compras nos últimos dois anos garante que vários estabelecimentos da região vendem o produto. O fabricante é da Região Metropolitana, segundo Flávio Boeira. O comerciante disse que desconhece qualquer proibição em torno da venda da espuma. “Não há nenhuma normativa proibindo. O pessoal usa em garagem, consultórios, mas somente nas paredes”, ressaltou.
Boeira vendeu seis bobinas de 1,90m x 5m em setembro de 2011, a um custo de R$ 330 cada uma. Outras três bobinas foram compradas em outubro do mesmo ano e três em julho de 2012, cinco meses após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público em Santa Maria e os proprietários da boate para a realização de obras de isolamento acústico. As notas fiscais serão entregues à Polícia Civil.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Engenharia (Crea/RS), Luiz Alcides Capoani, os proprietários não aplicaram um produto para retardar o tempo da queima da espuma. Mesmo assim, o dirigente frisou que o material é inadequado para esse tipo de revestimento.