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Bombas de gás dispersam manifestantes no Rio de Janeiro

PM reagiu a coquetel molotov lançado por infiltrados no protesto contra gastos para vinda do Papa

Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) usaram bomba de gás lacrimogêneo para dispensar os manifestantes que estavam concentrados em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, no bairro das Laranjeiras. O grupo se concentrava no local para criticar os gastos com a vinda do papa Francisco ao Brasil. No mesmo local, ocorreu a cerimônia de boas-vindas ao pontífice, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.

Os policiais reagiram a dois coquetéis molotov lançados por duas pessoas mascaradas infiltradas no grupo que participava do protesto pacificamente. Com a ação da PM, grupos se espalharam pelas ruas próximas, principalmente pela rua das Laranjeiras em direção ao Largo do Machado. Neste momento, os policiais ocupam as esquinas das vias próximas ao palácio para evitar que os ativistas voltem a se concentrar no local.

Ateus e agnósticos protestam em São Paulo

Membros da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) também protestaram contra os gastos públicos para a recepção em São Paulo. Com um secador de cabelos, eles promoveram uma "desbatismo" em frente à Catedral da Sé, centro da capital paulista. Após secar simbolicamente a água do sacramento do batismo, a pessoa recebia um certificado de participação no ato.

“Podemos receber o papa, mas isso não significa que temos de gastar R$ 850 mil em uma recepção para ele, que os aviões da FAB [Força Aérea Brasileira] tenham de ir até o Vaticano para buscar o jipe dele”, disse o presidente da Atea, Daniel Sottomaior. Ele criticou também o fato de a prefeitura do Rio de Janeiro ter decretado quatro dias de feriado, dois deles parciais.

Para Sottomaior, os gastos são um exemplo de como a laicidade (doutrina ou sistema que preconiza a exclusão das igrejas do exercício do poder político e administrativo) do Estado é desrespeitada no Brasil. “As autoridades sempre fizeram isso nesses 120 anos de República, pondo símbolos religiosos nas repartições públicas, pondo [a frase] 'Deus seja Louvado' no dinheiro, dando dinheiro para as religiões. Todos nós somos católicos e evangélicos à força, com a imunidade tributária que as igrejas recebem”, afirmou.

O professor Marcelo Carvalho ficou sabendo do protesto ao ouvir as críticas de uma apresentadora de TV ao ato. Ele destacou que também não é contra a recepção ao papa Francisco, mas acha que a festa não deveria envolver dinheiro público. “É mais o gasto público com a vinda dele, não necessariamente a vinda dele”, ressaltou Carvalho.


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