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Brasília ainda tenta conquistar os brasileiros

Ao comemorar 50 anos, a capital tem o turismo como foco para mudar imagem e despertar orgulho

Escada de Niemeyer no Palácio do Itamaraty
Escada de Niemeyer no Palácio do Itamaraty Foto : Tamara Hauck / Especial / CP
Única cidade contemporânea tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasília já conquistou o mundo. São, ao todo, 1 milhão de turistas por ano – boa parte de arquitetos e estudantes estrangeiros. Mas a capital do país, que neste 21 de abril completa 50 anos de sua inauguração, apesar dos esforços, continua distante dos brasileiros.

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“Fizemos duas festas memoráveis e pretendemos colocar 2 milhões de pessoas na Esplanada dos Ministérios para o aniversário. Mas ainda não conseguimos fazer com que o brasileiro tenha orgulho de Brasília. O que vemos pelo país é uma imagem ruim, de desmandos políticos que acabam por atrapalhar tudo de bom que Brasília tem”, lamenta o secretário de Turismo, Paulo Octávio.

Os esforços realmente são grandiosos. Orçado em R$ 24 milhões, o Jubileu de Ouro vai ser realizado com R$ 8 milhões. Nem mesmo os escândalos do Mensalão do DEM e a instalação de governo-tampão de Rogério Rosso (PMDB) conseguiram impedir a festa. Com apoio da iniciativa privada, a programação começa hoje, a partir das 7h, na Catedral Metropolitana, essa também uma obra de arte. Mais do que realizar grandes festas, a capital do país quer ser a capital dos brasileiros.

Para mudar essa imagem e retomar sua missão inicial de “ser um portal para o Centro”, Brasília tem investido forte em turismo, gastronomia e hotelaria. Está dando certo: já é o terceiro polo gastronômico do Brasil. Em 2008, contabilizava rede hoteleira de 19 mil leitos (23 mil, se contadas as pousadas) e inaugurava um centro de convenções capaz de receber mais de 9 mil pessoas, com lista de reserva de dois anos.

Para atender a todos os tipos de turistas, foi inaugurado o projeto Brasília de Braços Abertos, com cinco roteiros: arquitetônico, cívico, jurídico, rural e Brasília em Athos (com a obra de Athos Bulcão, em 40 atrações). É no roteiro arquitetônico que o visitante pode ter uma ideia mais precisa do que Oscar Niemeyer e Lúcio Costa tinham em suas mentes ao projetá-la. Brasília é praticamente uma galeria ao ar livre. O modernismo foi capaz de chocar até um astronauta: “Tenho a impressão de que estou desembarcando num planeta diferente, não na Terra”, disse Yuri Gagarin, em 1961.

Cidade de monumentos a céu aberto

Por onde se anda na capital federal é possível ver e cultuar o que de melhor há na arte brasileira. Verdadeiros monumentos a céu aberto: Praça dos Três Poderes, Palácio do Itamaraty, Panteão dos Heróis, Museu Nacional, Catedral Metropolitana, Santuário Dom Bosco, Memorial JK.

As superquadras, com destinação definida para cada finalidade moradia, comércio, serviços, bares se incluem nesse roteiro de arquitetura. E do morro da TV, é possível visualizar toda a beleza. Até mesmo a condição climática da região ar muito seco ou rarefeito foi observada pelos criadores que, como solução, bolaram os lagos.

Todos os estados nacionais estão presentes em Brasília, onde as decisões mais importantes que atingem todos os brasileiros são tomadas. Por esse motivo, se criou um roteiro turístico cívico, idealizado de forma a proporcionar aos turistas, especialmente aos estudantes, o resgate de valores patrióticos. Inclui, além dos prédios dos três poderes, alguns dos mais importantes monumentos que contam a história da capital, como a Ermida Dom Bosco, Catetinho e Vila Planalto, entre outros. O visitante pode sentir o clima do Congresso, ao ingressar na esteira rolante que atravessa grandes espaços rumo à Camara e ao Senado.

Estudantes de Direito visitam a cidade em busca de conhecer o poder Judiciário. Querem conferir de perto a origem, missão, composição, funcionamento e competência de cada tribunal. O turismo rural no Distrito Federal visa resgatar as raízes do Brasil e mostrar a diversidade cultural, com foco nas vivências de lazer, gastronomia e cultura. Entre as atrações das diferentes rotas rurais, estão incluídas vivências de integra-ção com o homem do campo.

Visita da rainha fez surgir corrimão

Uma escada sem corrimão embeleza o maior vão livre em espaço interno do mundo – no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério de Relações Exteriores. A moderna escadaria de Oscar Niemeyer quase foi modificada. Diz a lenda que, devido à visita da rainha Elizabeth II, foi incluído corrimão móvel. Após o evento, o arranjo sumiu "misteriosamente". A guia do Itamaraty diz que Niemeyer nunca aceitou o corrimão.