Geral

Brasil lidera a geração de e-lixo entre as nações emergentes

Cada pessoa produz cerca de 0,5 quilo por ano no País

Descarte incorreto pode resultar em graves danos ambientais
Descarte incorreto pode resultar em graves danos ambientais Foto : Pedro Revillion
Se ao ouvir falar em lixo eletrônico você lembra dos constantes spams que recebe por e-mail, saiba que, muito além desses possíveis vírus, os resíduos eletrônicos somam, pelo menos, 5% de todo o lixo produzido no mundo: 50 milhões de toneladas. De acordo com os levantamentos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil ocupa a liderança entre as nações emergentes na geração de lixo eletrônico, seguido do México e da China. No país, cada pessoa produz cerca de 0,5 quilo por ano. Se multiplicado esse número por 190 milhões de habitantes, a quantidade chega a 95 mil toneladas de e-lixo anual. No entanto, na China, que tem uma população muito maior, a quantidade de lixo eletrônico por pessoa é 230 gramas e, na Índia, fica em 100.

O relatório aponta que as "informações sobre e-lixo no Brasil são escassas". Em termos de políticas e legislação, a falta de uma lei abrangente de gestão de resíduos pode ser vista como o maior obstáculo para a regulação específica do lixo eletrônico. Em 2010, após duas décadas de tramitação no Congresso Nacional, foi sancionada a lei 12.305, de Política Nacional de Resíduos Sólidos. A legislação determina que o poder público deve se encarregar do descarte das pessoas físicas e o material gerado por grandes empresas é de responsabilidade do empreendedor.

Em Porto Alegre, segundo a responsável pelo Projeto de Reciclagem do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), engenheira química Mariza Fernanda Power Reis, a prefeitura tem convênio com uma empresa que possui licença ambiental para coletar e destinar adequadamente os resíduos eletrônicos. Segundo Mariza, no ano passado, foram arrecadados 3.369 resíduos eletrônicos. No entanto, não há dados mais específicos sobre quantidade de lixo gerado em toda a Capital.

De qualquer forma, a informação é comemorada também pelo ex-secretário do Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa) e atual vereador Newton Braga Rosa. Segundo ele, aos poucos a população vai ficando mais consciente e entendendo o potencial do lixo eletrônico, já que o descarte incorreto resulta em graves danos ambientais e, se aproveitado, pode gerar renda. "Já realizamos duas feiras de Descartes de Equipamentos Eletrônicos. Na última foram arrecadados 25 toneladas de e-lixo. E, na primeira, 14 toneladas. Muita gente levou o material de carro, por iniciativa própria, comprovando que as pessoas querem colaborar", observa. No dia 16 de junho haverá mais uma edição.


Bookmark and Share