O relatório aponta que as "informações sobre e-lixo no Brasil são escassas". Em termos de políticas e legislação, a falta de uma lei abrangente de gestão de resíduos pode ser vista como o maior obstáculo para a regulação específica do lixo eletrônico. Em 2010, após duas décadas de tramitação no Congresso Nacional, foi sancionada a lei 12.305, de Política Nacional de Resíduos Sólidos. A legislação determina que o poder público deve se encarregar do descarte das pessoas físicas e o material gerado por grandes empresas é de responsabilidade do empreendedor.
Em Porto Alegre, segundo a responsável pelo Projeto de Reciclagem do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), engenheira química Mariza Fernanda Power Reis, a prefeitura tem convênio com uma empresa que possui licença ambiental para coletar e destinar adequadamente os resíduos eletrônicos. Segundo Mariza, no ano passado, foram arrecadados 3.369 resíduos eletrônicos. No entanto, não há dados mais específicos sobre quantidade de lixo gerado em toda a Capital.
De qualquer forma, a informação é comemorada também pelo ex-secretário do Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa) e atual vereador Newton Braga Rosa. Segundo ele, aos poucos a população vai ficando mais consciente e entendendo o potencial do lixo eletrônico, já que o descarte incorreto resulta em graves danos ambientais e, se aproveitado, pode gerar renda. "Já realizamos duas feiras de Descartes de Equipamentos Eletrônicos. Na última foram arrecadados 25 toneladas de e-lixo. E, na primeira, 14 toneladas. Muita gente levou o material de carro, por iniciativa própria, comprovando que as pessoas querem colaborar", observa. No dia 16 de junho haverá mais uma edição.