Geral

Brigada Militar descarta invasão de cativeiro em Canoas

Área de isolamento foi ampliada para evitar incidentes envolvendo populares; cárcere já dura mais de 42 horas

BM descarta invasão de cativeiro em Canoas
BM descarta invasão de cativeiro em Canoas Foto : Leandro Cabral
Já dura mais de 42 horas o sequestro de Josiane Pontes, em Canoas. Ela é mantida refém pelo ex-companheiro, o vigilante Rodrigo Luciano Luz, em sua casa, no bairro Guajuviras. O subcomandante da Brigada Militar, o coronel Jones Calixtrato, que acompanha as negociações, descartou qualquer possibilidade de invasão do local pela polícia. De acordo com o coronel, a BM espera que ocorra uma rendição pacífica de Luz.

No início da tarde deste domingo, a área de isolamento do local foi ampliada, para prevenção de incidentes, como reações de populares. O número de curiosos também era grande. Estão bloqueadas duas quadras entre as ruas 11 e D. Ainda segundo Calixtrato, o vigilante não dormiu desde que invadiu a casa da ex-mulher, no final da noite de sexta-feira. Josiane chegou a dormir durante a madrugada, segundo informações passadas por Luz aos policiais por telefone. A refém também falou com agentes da BM e relatou não ter sido ferida.

Tensão

Na longa vigília que policiais, familiares e imprensa - além de curiosos - viveram, desde o final da noite de sexta-feira, quando Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, inconformado com o fim do casamento tomou sua ex-mulher Josiane Pontes, de 29 anos, como refém, houve momentos de grande tensão.

Um desses ocorreu por volta das 18h de sábado, quando Luz teria ficado sabendo que uma equipe de agentes do 15º Batalhão da Brigada Militar e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) estava no local. Apavorado, ele perdeu o controle e afirmou - ao telefone para o negociador - ter engatilhado sua arma, um revólver possivelmente 38, e apontado contra o peito de Josiane, dizendo que a mataria caso ouvisse qualquer barulho diferente no telhado ou no jardim. Os agentes, então, recuaram, e tentaram acalmá-lo com as negociações.

Em meio ao descontrole emocional que Luz aparentava, os policiais continuaram trabalhando por uma rendição pacífica, como forma de preservar a vida do casal. Amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além da sua psiquiatra, que garantiu a ele tratamento quando saísse. O filho do casal, um menino de 11 anos, também voltou a entrar em contato com o pai após ter passado aproximadamente sete horas no confinamento e sido liberado na manhã de sábado, junto com a irmã. O garoto, ao celular, pediu que o pai saísse e abanou para Luz do portão da casa, mostrando com a ingenuidade de uma criança, mas com a seriedade que a situação exigia, a importância de que o pai revisse a sua atitude. Frente ao apelo, se criou a expectativa de que o vigilante se renderia, o que não ocorreu, decepcionando os que torciam para um desfecho sem tanto trauma.

Um dos compadres de Luz, que foi seu colega de trabalho e companheiro de igreja, recebia ligações frequentes do vigilante. Para ele, revelava suas angústias e pedia conselhos. Pelas 17h, logo após ter conversado com o vigilante, o compadre contou que ele estava mais calmo, mas que ainda tinha medo de sair por causa da polícia. "Eu estou tentando apaziguar a situação. Acho que vai dar certo", disse o amigo de dez anos.

No entanto, após diversas tratativas, Josiane permanece como refém. No começo da noite de sábado, o número de agentes chegava a 60. Conforme o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato dos Santos, os policiais permanecerão no setor um, quadra C, do bairro Guajuviras, em Canoas, até o término do sequestro.