Para o processo ter andamento, pelo menos cinco dos 15 vereadores devem concordar com os requerimentos. O Ministério Público (MP) apurou que a Fundação Universitária José Bonifácio, do Rio de Janeiro, contratada para a auditoria, não prestou o serviço e mesmo assim recebeu os R$ 870 mil. O desvio, porém, pode chegar a R$ 2 milhões, de acordo com o promotor de Justiça Alécio Nogueira. Nessa sexta-feira, ele disse não ter dúvidas sobre a rede de corrupção instalada no Executivo.
A ordem de pagamento para a empresa fluminense foi do então secretário de Finanças, Olívio de Menezes, de acordo com o MP. O nome da ex-diretora de Compras Luana Della Vale Marcon também foi incluído no processo. Ambos foram demitidos.
O prefeito Roberto Lunelli sustenta que desautorizou o pagamento, mas os recursos foram empenhados. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) prossegue uma auditoria na prefeitura de Bento Gonçalves. O prefeito admite que já há a comprovação material do desvio de R$ 300 mil na inspeção feita pelo órgão. O chefe do Executivo, que não foi reeleito, já negou participação no esquema. O promotor questiona um decreto editado pelo próprio prefeito Lunelli, que, em 2011, deu “superpoderes” aos então secretário e diretora de compras, que eram Cargos de Confiança (CC) desde fevereiro de 2011. O decreto autorizava ambos a ter acesso irrestrito à contabilidade do município.
Mais de mil pessoas protestam contra suposto desvio
Um protesto por conta dos supostos atos de corrupção mobilizou mais de mil pessoas no final da tarde dessa sexta-feira. A manifestação começou por volta das 17h30min e seguiu até as 19h15min, conforme a Brigada Militar. Agitando faixas, os contribuintes gritaram palavras de ordem contra a administração municipal, na rua Marechal Deodoro, em frente à Prefeitura. O protesto ocorreu de forma pacífica.
Enquanto isso, o Hospital Tacchini, de Bento Gonçalves, não recebe repasse de verbas há dois meses. Desde agosto, deixou de ter acesso a quase R$ 3,3 milhões da Prefeitura. Os recursos, destinados a cirurgias eletivas, são do Fundo Nacional de Saúde, do governo federal. O hospital encaminhou um ofício ao Ministério Público nesta semana solicitando providências.