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Câmara de Porto Alegre debaterá obras da Arena na quinta

No bairro Humaitá, vereadores ouviram reclamações da comunidade

A direção da OAS informou, por meio de sua assessoria, que a empresa não foi avisada com antecedência da visita
A direção da OAS informou, por meio de sua assessoria, que a empresa não foi avisada com antecedência da visita Foto : Tarsila Pereira
A Câmara de Porto Alegre deverá debater nesta quinta-feira, às 10h, as condições de trabalho e de moradia dos trabalhadores da Arena do Grêmio, bem como da comunidade residente no entorno da obra. A discussão ocorre em reunião conjunta das comissões de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) e de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) do Legislativo.

Segundo a presidente da Cedecondh, Maria Celeste (PT), Ministério Público do Trabalho, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), construtora OAS e direção do Grêmio serão convidados. Na tarde desta terça-feira, um grupo de vereadores foi até o local das obras, mas não teve autorização para verificar os alojamentos. “Não queremos conversar com o encarregado, queremos ver as condições dos trabalhadores”, afirmou Celeste. A direção da OAS informou, por meio de sua assessoria, que a empresa não foi avisada com antecedência da visita.

De acordo com a vereadora, muitos trabalhadores da obra que foram levados a hotéis da Capital teriam informado a ela, na noite de segunda-feira, que perderam os documentos no incêndio ocorrido domingo e estariam apenas com a roupa do corpo. “Quero saber quais as condições que a empresa vai ofertar para estes trabalhadores”, cobrou. A visita de hoje, segundo ela, já estava definida pela Cedecondh desde a semana passada.

Reclamações de moradores

Os vereadores também ouviram reclamações de moradores do bairro Humaitá, onde está localizada a obra. De acordo com a presidente da Associação de Moradores da Vila Liberdade, Élida Dutra Ferreira, a demanda por serviços públicos aumentou desde o início das obras. “Mudou tudo. Há superlotação nos ônibus e nos postos de saúde. A gente fica com pena de ver as crianças porque não tem creche para todos”, reclamou. Segundo ela, muitos trabalhadores, vindos de outras regiões do país, trouxeram esposa e filhos, o que aumentou ainda mais a concentração de pessoas na região.

O presidente da Associação Mario Quintana, Sérgio Luís de Almeida Bueno, disse que o grande fluxo de caminhões provocou a formação de crateras nas ruas próximas à obra. “Pedimos pelo menos para colocar uma brita e até agora não foi feito nada”, afirmou. Ele ressaltou, ainda, a existência de rachaduras em algumas casas.
A direção da OAS não se manifestou sobre as reclamações dos moradores.

Nesta terça, após um dia de luto dos trabalhadores, as obras do futuro estádio do Grêmio foram retomadas.

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